Acabei de ler: O Apanhador no Campo de Centeio

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Muitos eram os motivos que eu tinha pra ter muita curiosidade com relação ao livro. Os motivos pra qualquer pessoa querer ler, na verdade, são muitos. Entre eles:

  1. É um dos livros preferidos de Woody Allen e Billie Joe.
  2. O assassino do John Lennon estava lendo este livro minutos antes de tentar suicídio e diz ter encontrado na obra a inspiração pra matar Lennon.
  3. O livro foi relacionado também com o assassinato de Rebecca Schaeffee e com a tentativa de assassinato de Ronald Reagan.
  4. Green Day tem uma música dedicada ao protagonista do livro, Guns and Roses também gravou uma música inspirada na obra literária.
  5. O livro inspirou duas obras cinematográficas: um é o filme “Capítulo 27” que seria a continuação do livro que tem 26 capítulos. Outro é “Teoria da Conspiração” que é protagonizado pelo Mel Gibson que tem certeza que o mundo conspira contra ele e é obcecado pelo livro, sua casa tem centenas de exemplares.
  6. Tem uma cena no fim de Annie Hall (clássico de Woody Allen) que faz referência ao livro.
  7. South Park e Os Simpsons já tiveram episódios com a mesma inspiração.

Então, um dia, meu namorado resolveu me dar o livro de presente, ele também já leu e costumava chamar o livro de genial. O Apanhador no Campo de Centeio é uma publicação de 1951 e é considerado um clássico americano. A data de lançamento desse livro, acredito eu, é a grande responsável pelo impacto dele.

O fato é que eu li as 100 primeiras páginas quase revoltada com a narrativa, com a falta de história com a quantidade absurda de palavrões e expressões antiquadas e com o Holden Caulfield, o protagonista enjoado, mimado e mal amado. Nunca lutei tanto pra não desistir de um livro, mas eu não podia desistir, ainda mais se tratando de um livro que eu estava há anos querendo ler. O fato é que de uma hora pra outra, não sei definir em qual momento exato, o livro me puxou e eu não consegui mais parar até chegar na última página.

Qual o enredo central do livro? Não tem. Durante a minha luta nas cem primeiras páginas, eu ficava perguntando incessantemente pro meu namorado porque diabos essa porcaria desse livro era tão famoso, ficava perguntando qual a moral da história e ele sempre ria dizendo “não tem”.

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Mas, então, por que ele é isso tudo? Porque ele é escrito na primeira pessoa, como se o próprio Holden existisse e estivesse, com seus 17 anos, em posse de um bloco de notas e uma caneta e escrevesse seus pensamentos, muitas vezes desconexos e irrelevantes, com seu próprio vocabulário. Escrevendo sobre seus quase-amores, seus muitos ódios, seus medos e sua vontade de não tê-los. É um adolescente clássico, odeia tudo e todos, amaldiçoa a escola. É um playboy, tem uma família rica, quase nenhum amigo, foi expulso de todas as escolas que estudou, mas é quando se refere à Phoebe, sua irmã de 10 anos, que a gente vê que ali mora um coração. Ela é demais, quase reverenciada pelo irmão, ela tem consciência de tudo que se passa e dá sermões que são sempre ouvidos com muito respeito pelo irmão mais velho. Ele que não escuta nem ama ninguém, dá a impressão de que seria capaz de morrer por Phoebe.

É uma história sobre nada que poderia ter como protagonista qualquer adolescente, acredito que existam muitos Holdens por aí, anti-sociais, contra o sistema, sem paciência, confusos, solitários e muito ingratos. Um adolescente passando uns dias em New York facilmente se identifca com Caulfield.

No fim, terminei com um sorriso no rosto, com a impressão de que conhecia o Holden e de que já estive no lugar dele algumas vezes. O fim é vago, parece que vão vir mais mil páginas, mas acaba. J.D. Salinger foi impressionantemente ousado escrevendo um livro tão cru e tão verdadeiro sobre a mente jovem em uma época super conservadora, ouvir sobre as hipocrisias de uma sociedade vazia por um moleque de 17 anos, com certeza foi um soco em todo mundo que pegou o livro pra ler naquela época. Holden é um covarde, é egoísta, é estranho, é desiludido, é pesado, mas senti falta dele e depois de o ter conhecido, acho que nunca mais terei coragem de largar um livro pela metade.

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