Nota de retratação.

Eu tenho esse blog já há alguns anos, atualizo pouco, mas me exponho nos meus textos e sei que posso influenciar algumas pessoas com meus posicionamentos. Há umas duas semanas, recebi o maior sermão em uma publicação minha de 2012, a pessoa tinha tanta razão no sermão dela que eu acabei deletando meu post pra não correr o risco de que outras pessoas fossem no arquivo do blog e encontrassem opiniões que já não condizem com o que sou hoje. Graças a Deus a gente muda, a gente se transforma a cada acontecimento das nossas vidas, a gente muda de opinião conforme conhece pessoas, lê livros, abre a mente e os olhos pro que acontece ao nosso redor.

Nesse texto eu falava sobre um exagero quanto ao racismo, na época o Alexandre Pires tinha sido acusado de racismo ao colocar um macaco em seu clipe e eu achei aquilo absurdo. Um negro sendo acusado de racismo! Na época o Emicida havia criticado uma personagem de humor que era negra, achei um exagero também, uma falta de espírito esportivo. Aí eu escrevi um pá de parágrafos recheados de baboseiras que podem ter influenciado pessoas e eu achei pertinente, 3 anos depois, deletar esse registro da internet e me retratar.

Sou branca, de classe média, nunca sofri preconceito, ninguém nunca atravessou a rua porque me viu chegando perto, todos os taxis pra que acenei pararam pra mim, sempre fui bem tratada na rua, nunca me olharam feio em uma imigração, sempre me dei bem ao pedir favores ou ao tentar resolver problemas, nunca desconfiaram de mim gratuitamente, nunca questionaram minha posição como executiva em uma empresa pela minha cor, no maior shopping de luxo da cidade, mesmo de chinelo e roupa de faxina, nenhum olhar estranho me foi lançado. Eu nasci branca e não preciso lutar para provar que sou decente simplesmente por causa disso. Já cheguei a achar que era exagero, que racismo no Brasil não era algo tããão forte assim, mas e o que diabos eu sei sobre isso? Nada. A luta não é minha, o passado não é meu. O bullying que sofri na minha infância por causa da minha cor exageradamente clara não pode ser comparada de forma alguma ao que os negros sofrem, retiro tudo que falei sobre achar que um racismo inverso deveria ser considerado. Eu retiro e peço desculpas. Se eu influencio uma única pessoa, é por essa única pessoa que vim aqui escrever essas coisas. Sou responsável pelo que eu digo, mas vivo em transição e a conscientização sobre questões sociais é uma coisa relativamente recente na minha vida, eu preferia achar que não existia só porque não trato ninguém com distinção, inocentemente presumi que a população era inteirinha como eu. Abrir os olhos é mais difícil, mas eu abri e tenho vergonha de algumas besteiras que já falei. 

A gente ainda tem muito o que melhorar… 

Desculpem-me.

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8 comentários sobre “Nota de retratação.

  1. anacamina disse:

    Como você falou, o importante é continuarmos evoluindo. Em algum momento todo mundo pensa e/ou fala besteiras, mas que bom que é possível mudarmos de opinião e entendermos que nem toda verdade é absoluta, nem a nossa própria.

  2. even moreira (@twittteven) disse:

    A gente começa a melhorar quando entende o que precisa ser feito para que isso aconteça. Te acompanho no blog e no insta já faz um tempo, Hari (acho que posso te chamar assim, né?). Você é ótima e suas opiniões também. Nós crescemos e mudamos com o tempo e, como você disse, ainda bem. É a vida, não é mesmo? 🙂

  3. Katarina Holanda disse:

    Vi muito de mim nesse seu texto. Já falei tanta baboseira nessa vida que tenho vergonha de lembrar, entre elas tudo que você citou. Até ano passado eu tinha posições sobre o feminismo que hoje jamais sairiam da minha boca. O tempo passa, a gente amadurece, apanha e aprende, ainda bem. E nós leitores com certeza crescemos contigo ao longo desses anos. 🙂 Parabéns pela coragem.

  4. letícia disse:

    esses trechos do Emicida resumem tudo: “Onde o inimigo é quem decide quando ofendeu” (sociedade essa onde pessoas brancas querem decidir quando algo é racista ou não); e “Tá pra nascer playboy pra entender o que foi ter as corrente no pé”. parabéns pela coragem, e pela evolução de espírito. a humanidade agradece. vamos descontruir! 🙂

  5. thhnasct disse:

    Hari, sempre admirei sua personalidade. E depois desse post, com um humilde pedido de desculpas, admiro tri.

    Nunca perca essa essência de ser quem é. Os reparos são essenciais ao “eu”.

    Grande beijo.

  6. Daianne Cantanhede disse:

    Confesso que no inicio do texto me revoltei um pouco, não por você ter se retratado mas pelo que fez alguns anos atrás, mas aos poucos fui percebendo que a gente muda e consequentemente nossas opiniões também, quem nunca errou não é verdade? E assumir um erro qualquer que seja, é ato de coragem! A luta não foi sua, mas com certeza agora você colaborou pra que algumas de suas leitoras entendessem que ela existiu e infelizmente ainda existe, ou seja todos devemos estar a par dos fatos, por fim você tem meu respeito. Obrigada pelo texto sincero. Parabéns pela coragem!

  7. Shirlayne Mayara Lima disse:

    Olá, Hariana! Parabéns pela humildade de reconhecer o equívoco. Perfeita a sua visão amadurecida do assunto. Só faria uma ressalva: Essa luta é sua sim, é de todos nós, independente da raça aparente. A injustiça e o preconceito ferem qualquer um que tenha um pingo de compaixão pela raça maior: a humana.

    Voltarei sempre aqui!

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