Sobrevivendo aos 27 anos.

Jimi Hendrix,  Jim Morrison,  Janis Joplin, Kurt Cobain, Amy Winehouse, isso sem mencionar muitos outros. Todos eles só viveram até os 27 anos.

27 anos, 6 meses e 14 dias é o tempo exato que estou viva… Lendo sobre a teoria dos 27, me parece que a coisa pode ser séria e eu, por experiência própria, não duvido. Eu também morri, eu estou morrendo, uma versão nova de mim está nascendo e talvez eu chegue aos 28 anos completamente diferente do que experimentei ser até aqui. Há uma teoria sobre Saturno e suas voltas,  ele completa seu primeiro ciclo em 29 anos, mas é aos 27 que começamos a já sentir e essa idade é considerada como uma segunda adolescência. Talvez eu esteja experimentando uma rebeldia que nunca tive nem no meu pior dia da escola, uma crise que não aconteceu nem no vestibular, nem no fim dos meus pseudo-amores adolescentes, nem nas minhas tantas mudanças de cidade.

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2015, o ano dos meus 27, está sendo o ano mais louco, mais complicado e talvez, o ano mais transformador da minha vida. Fui pro Google e me senti um pouco normal, não sou a única com quase 30 se comportando como se tivesse 18, muita gente não aguenta, mas eu tô aqui desafiando os próximos 5 meses e 17 dias dessa idade medonha pra esfregar a calmaria dos meus 28 na cara dela porque, mesmo que me transforme drasticamente, a teimosia é forte demais pra me deixar.

A alta incidência de mortes aos 27 anos tem muitas teorias além da de Saturno, pode ser efeito cumulativo das drogas utilizadas desde a adolescência, o que não é meu caso, sou medrosa demais pra isso. Li sobre um possível pacto com o diabo, o que também não é meu caso, já que não acredito em um inferno além daqui, o inferno são os outros, como já dizia Sartre. Tem teoria de psicólogo alemão e até de numerologia. Sei que a maioria dos meus leitores ainda não chegaram a essa idade, então fica o alerta!

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Aqui eu estou tentando prestar atenção nas mudanças que são quase palpáveis, eu quase sinto o vento bater daquela minha versão que sai quase correndo de mim. Eu consigo sentir nas veias a transformação do que eu costumava acreditar. Tudo que acontece nas nossas vidas tem uma consequência, muitas delas são transformações irreversíveis e são elas que vão nos tornando únicos no mundo, ninguém viveu o mesmo que a gente, ninguém entende, ninguém nunca vai saber o que acontece dentro do nosso universo particular.

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A partir daqui, talvez pela primeira vez, eu entendo que eu não preciso me moldar para ninguém, eu preciso ouvir o que ecoa dentro de mim. Eu preciso priorizar minhas vontades e apenas lamentar se isso não agradar alguém, no final das contas, nós só podemos contar com nós mesmos. A partir daqui, eu valorizo quem está ao meu lado pelo que sou e são só essas pessoas que eu preciso manter no meu caminho pelos próximos anos. Não exija de mim o que eu não posso dar, por muitos anos dei o que não tinha e agora estou tentando fechar os buracos que abri na alma. Não se ofenda se eu não estou presente todos os dias, se eu não ligo, se eu não respondo às suas perguntas com as respostas que esperava, eu sei que o você quer ouvir, mas isso não faz mais diferença pra mim. A partir daqui, eu falo e vivo a minha verdade,  não a dos outros.

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Dia 17 de janeiro de 2016, vou viver um dia de luto pela pessoa que ali jazerá, dia dia 18 de janeiro de 2016, junto com meus 28 anos, eu vou nascer de novo. Desculpe aos que estão participando de perto e sentindo os estilhaços do destruído pelo furacão bater no rosto,  a revolução há de ser para um bem maior, talvez para silenciar um pouco a minha mente barulhenta. Resiliência passou a ser minha palavra de ordem, estou vivendo o caos, concentrando-me apenas em manter a sanidade e em ser fiel à minha essência. Parei de exigir de mim o melhor, exijo de mim somente ser eu mesma. Vivi até aqui achando que eu precisava agradar os outros mesmo que esses outros adorassem me desagradar, eles estavam certos, não eu.

Desculpem-me pelo transtorno, estou trabalhando para melhor servi-los. Isso também vai passar…

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17 comentários sobre “Sobrevivendo aos 27 anos.

  1. Letícia disse:

    Você escreve de um jeito bem legal de ler 🙂
    não tenho 27 ainda, mas acredito que também tenha uma crise dos 20 anos, não sei se sou a única, mas não gosto de saber que estou “crescendo”, ficando mais velha, com mais responsabilidades.. as vezes sinto que ainda não estou pronta.. ás vezes acho que estou..
    mas é isso 🙂
    Beijo, Lê.

  2. jules disse:

    Não tenho 27, mas estou numa fase muito parecida, desde que me entendo por gente nunca me encontrei totalmente dentro de mim. Tô tirando o tempo que for necessário pra aprender mais sobre as minhas vontades, sonhos, objetivos, qualidades e defeitos…algo que você também está fazendo, não é?! Adorei o post, não tenho 27 anos vividos, mas talvez uns 27 anos psicológicos? Hahahahaha. Beijos Hari!

  3. Joana Fernandes disse:

    Não me comparo, mas me coloco no seu lugar… Tenho 27 (5 meses e 24 dias), me mudei de SC p/ SP há 1,5 anos e por muitas vezes me sinto vivendo meus 18 anos. Lutando contra a maioria dos que tem a minha idade estão fazendo… Amigas casando, tenho filhos, sendo promovidas na empresa, fazendo planejamento de cargo e salários e comprando casa própria. Do contra, eu embarquei em uma vida autônoma, formada em marketing, trabalho como produtora, social media, tenho uma marca de roupas e também faço artesanato. Que vida de merda? Não! Não tenho uma folha de pagamento certa por mês, vivo de aluguel, estou sempre “correndo atrás do rabo”. Mas foi o que eu escolhi! Da dor de cabeça? Muita! É difícil? Demais! Principalmente o fato de que ainda não tenho meu ciclo social tão bem desenvolvido como tinha na minha cidade do coração (#JoinvilleFeelings), e ter todo mundo longe é a parte mais difícil. Masss, tudo bem! Sou forte! Eu não me vejo “workaholic”, trabalhando 12 horas por dia, com um holerite de ouro, fechada num escritório e trabalhando igual maluca… Eu faço os meus dias, meus desafios e sou feliz assim. Que meus 28 evoluam, que o cenário mude, melhore, mas que eu continue tendo minhas dores de cabeça e desenvolvendo meus desafios. Seguimos! TMJ! @oijoana

  4. isabellamarques disse:

    “por muitos anos dei o que não tinha e agora estou tentando fechar os buracos que abri na alma.” cara, estou assim às vésperas de completar 32. aos 27 fiquei assustada também. e ainda continuo, rs.

  5. isapaperplanner disse:

    Não cheguei aos 27 ainda, e do jeito que eu gosto de planejar tudo, já tenho medo antes mesmo de chegar.

    Criei um blog também, e fiz uma agenda para blogueiras. Quem sabe te ajuda a aliviar as tensões nesses próximos 5 meses? É de graça o download, e isso não é propaganda não… Eu genuinamente criei a agenda com a intenção de ajudar outras blogueiras.

    Um grande beijo e espero que goste!
    http://www.paperplanner.com.br/2015/08/04/para-baixar-blog-planner-2015/

  6. Ana Ono disse:

    Acabei de fazer 28 e concordo com todas as teorias que citou. Vinte e sete é um ano difícil, 27 é um ano de morte. Parte de mim se foi e quando vi já era outro alguém. É uma angústia perturbadora porque sinto saudades de quem era mesmo sabendo que precisei me tornar quem sou. Vinte e sete é, talvez, quando finalmente crescemos para o mundo. Gostei muito do texto, me identifico completamente. 🙂

  7. Tassia B disse:

    Tambem sou obrigada a acreditar em todas as teorias dos 27 anos. Com 26 anos eu era um pouco insegura, fiquei noiva de um cara que eu nem sabia se queria pra minha vida, e tentava me ajustar no trabalho. As vesperas dos 27 eu terminei o noivado, e passei por uns 3 ou 4 meses de me assentar e me resolver. Dai eu resolvi que queria me fazer feliz, que ia fazer so o que sentisse vontade, que ia ser o centro do meu mundo, e entao eu vivi o melhor ano da minha vida ate entao. Eu fui a lugares que queria, comi o que queria, viajei, fui a shows, comprei, vendi, trabalhei, estudei, aprendi, tudo por mim mesma, e na maior parte do tempo sozinha. E nunca me senti tao plena!
    Hoje, quase completando 31, sei que aquele ano foi o que mais me tornou o que eu sou hoje, e eu tenho muito orgulho de mim 🙂
    Aproveita essa fase louca, e tambem sensacional! Vc nunca vai esquecer :)))

  8. Vânia Alves disse:

    Estou com 27, três meses e 15 dias, e não sinto que tenho essa idade, uso muitos cremes para não envelhecer porque estou com muito medo de ter trinta e ficar com mais rugas do que o normal. estou numa fase de um turbilhão de sentimentos, querendo ver mais coisas, viajar mais igual quando tinha meus 21 e 24, que essa foi minha fase que vivi uma adolescência tardia…Olha nem sei mais nada…

  9. Jojo disse:

    Passei por isso quando fiz 20 anos. Agora aos 27 estou passando por isso de novo. É horrível, me sinto péssima. Não tenho vontade de fazer nada e fico triste por isso, com medo de me arrepender depois. Quero ficar sozinha, me afastar de todos. Choro todos os dias. Foi bom ler o seu texto, assim vejo que mais pessoas também passam por isso.

  10. Ed Santos disse:

    Caraca, fiz 27 em Junho e sou artista, ator e palhaço. Que Deus tenha misericórdia de mim pois estou em uma crise existencial fortíssima e com depre. São vários sentimentos envolvidos, sonhos artísticos que eu já deveria ter realizado, minha adolescência que eu sacrifiquei por conta da igreja, sofro de nostalgia todos os dias pela minha terra natal o Rio de Janeiro, luto todos os dias contra diversos sentimentos, é como se estivesse sozinho no mundo, mas n cai nesse blog por acaso. É interessante ver como ter várias pessoas nas mesmas situações. Espero que todos possam superar essa fase, pq é como se eu de fato adolescente. É muito louco.

  11. Priscila disse:

    Tenho 27 anos e me identifico muito..estou vivendo essa crise tbm, um turbilhão de pensamentos, não me encontrei ainda, fui mãe jovem, meu filho é tudo pra mim, mas a partir do momento q ele surgiu na minha vida ele se tornou a minha prioridade … então não consegui terminar minha faculdade, trabalho a 5anos em uma empresa q não é tão ruim mas não estou no emprego dos meus sonhos…me vejo sem motivação, e sem saber o q fazer, largo tudo ou continuo vivendo assim pq eu tenho a necessidade de ter uma “segurança” e sem saber o q fazer da minha vida “vivo” essa crise existencial…. só depre, mas ao mesmo tempo tento demonstrar felicidade pro meu filho, é tão difícil…

  12. Cris Shakira disse:

    Tenho 27 e meio, e me sinto presa num turbilhão de sentimentos, pensamentos, emoções. Não fiz nada do que gostaria de ter feito, ainda não sou o que quero ser. E até ontem, estava me culpando e me martirizando muito por minha vida,e pelas coleções de erros e fracassos até aqui.
    Me sinto inútil, e derrotada, por mas que eu não queira me sentir assim, estou em crise. Me sinto perdida, estou desempregada, não terminei o curso de Letras, nunca tive sorte no”amor”, não tenho filhos e nem conquistei tudo aquilo que estava planejando antes dos 30.
    Portanto, se mas alguém está vivendo a crise dos”27″ digo que a hora é agora de nos reencontrarmos e se preparar para a entrada de um novo ciclo.

  13. samyesuaspoesias disse:

    Gente é o seguinte… tenho 27 anos, 5 meses e 27 dias… Já quando começou o ano (e eu só faço aniversário em maio) me vi num fim de relacionamento que já durava 5 quase 6 anos… A partir dai foi só ambiguidades, confusões, ora alegrias, ora tristezas. Encontrei uma pessoa logo depois do meu aniversário… Mas para piorar minha situação a diferença de idade é só um mês e alguns dias… ou seja… me lasquei duplamente porque ele também tem 27 anos… Bom.. sempre tive o sonho de ser mãe e isto agora tem ficado bem explicito, a decepção de ter 27 anos e não ter filhos… Fora a carência emocional que infelizmente está muito forte este ano… Descobri esta semana que a idade dos 27 é crítica mesmo… e to me esforçando para não pirar antes de completar 28.. tem coisas sobre o meu futuro que eu mudei drasticamente. Fiz meu blog de poesia que antes não passava de projeto… e foi satisfatório.. mas o ponto ruim é que tudo que sinto escrevo nele… então não existem segredos mais. Estou torcendo para que estes 6 meses e 3 dias passem voando.. porque é uma constante luta que estou vivendo diariamente, para tudo… Sou da área da educação e do nada me veio a ideia de fazer um curso técnico de guia de turismo.. no meu lado profissional eu estou mais confiante do que nunca… Mas não fale de sentimentos para mim que eu nem sei mais o que sinto ou o que devo sentir em relação a nada… Estou temporariamente incapaz de chorar.. Só queria que alguém me falasse… Isso tudo vai embora quando completamos 28 anos?

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