Obrigada aos amigos que não tenho mais

Hoje um amigo de infância postou uma foto pro #tbt de quando éramos crianças, talvez uns 7 ou 8 anos. Não sei precisar… E aí não sei se é culpa da TPM ou sei-lá-o-quê, mas deu uma tristezinha. Deu uma tristeza, mas foi quase boa porque naquela foto estavam pessoas que fizeram parte da minha vida durante 10 anos, foram protagonistas de muitas lembranças de criança, estiveram comigo em muitas primeiras experiências. Foram meus amigos de infância, foram eles, inclusive, que me zoaram bastante na escola.

Foi com eles que troquei fitas k7, que tive um canal no mIRC (alô, #RedHots!), a gente fez várias excursões pra fazenda, pra serra, pra praia… A gente viu um ao outro debutar, foram muitas festas de 15 anos! As primeiras intrigas e primeiras paquerinhas foram todas ao mesmo tempo, a gente fofocava bastante, as matinês no Mucuripe, os shows no Hotel Marina que duravam tanto quanto o sermão dos nossos pais antes de irmos. Eles entraram na minha vida quando eu tinha 7 anos, fiquei com eles até o começo do último ano da escola, a gente aprendeu sobre álgebra, biologia, química e análise morfológica ao mesmo tempo – ou tentamos aprender. A gente estudou sobre a Nova Zelândia em um ano e sobre a República Dominicana no outro para a feira das nações. A gente teve aulas de etiqueta social e teve também um semestre inteiro de oficina caseira, a gente aprendeu a fazer extensão elétrica, a limpar cabeçote e a trocar pneu. A gente torceu um pelo outro nos jogos interclasses e a gente disputou entre si na feira do empreendedor (minha barraquinha de milk shake arrasou!). A gente foi junto ao laboratório de química misturar componentes perigosos.

Foram eles que me zoaram por eu ser rechonchuda, por ficar rosa quando corria e por falar estranho, foram eles que acompanharam meu colocar e tirar de aparelhos ortodônticos, foi com eles que eu comi churros e pirulito de caramelo na saída da escola. Na nossa época não tinha celular, ninguém mandava whatsapp ou sms, a gente escrevia num pedaço de papel e fazia o papel andar pela sala toda enquanto a gente rezava pra professora não ver. A gente assinou por muitos anos a camiseta do uniforme uns dos outros no último dia de aula e a gente jogou espirobol no recreio! Eu dividi a paixão pelo Leonardo DiCaprio com amigas e troquei pôsteres dos Backstreet Boys com elas, fiz cover de Spice Girls e virei fã de hardcore que só vestia roupa preta com vocês, amigos. Eu conheci a galeria do rock com vocês!

A gente foi pra escola no dia 11 de setembro de 2001 e discutiu bastante sobre o que a gente nem entendia. A gente deu apelidos maldosos aos professores e gastamos vários filmes de câmera analógica dos nossos pais, a gente fez paródias na semana do meio ambiente, a gente foi aos primeiros shows juntos, a gente fugiu depois da prova pra ir ao shopping, a gente comia batata frita com sorvete, a gente começou a gostar de música ao mesmo tempo, alguns amigos montaram uma banda e todos os fãs dos Pescadores eram nossos amigos. A gente amadureceu e fez parte da vida um do outro, algumas pessoas lembro o nome completo e a data de nascimento mesmo sem falar ou ver há mais de 10 anos. Vocês me viram dançar em cima do palco uma música caribenha com top mostrando a barriga que era o dobro da barriga de qualquer outra menina que dividia o palco comigo e ainda continuaram meus amigos. Vocês seguiram a vida, eu segui também, a gente se separou, a gente nunca mais se falou. A gente nunca mais se viu e eu não tenho o telefone de mais ninguém…

Eles ficaram lá no calor do Ceará e eu voltei pro Sul, depois de outros muitos anos subi um pouco e hoje estou no Sudeste e ainda bem que a internet existe um tanto melhor hoje em dia, só assim eu sei quem já casou, quem tem filho, quem tá igual, quem tá em outro país, quem mudou muito, quem parece mais feliz do que há anos atrás, só assim eu tenho um resquício de vínculo aos que me viram crescer e que contribuíram pra que eu me tornasse quem sou. Hoje, infelizmente, não tenho amigos de infância, todos meus amigos são amigos que conquistei quase na fase adulta, amo eles, mas eles não me conhecem como vocês.

Nós não nos falamos mais, não nos vemos, não sabemos mais um do outro e nem fazemos nossos pais combinarem quem leva e quem busca na festinha, mas vocês são parte de uma das minhas partes que mais gosto de mim. Amo meu presente, adoro o caminho que segui e estou onde eu queria estar, também tenho certeza que meu futuro será inesquecível, mas meu passado… Meu passado tem um lugar especial no meu coração. Onde quer que estejam, fazendo o que quer que estejam fazendo, quero dizer OBRIGADA, vocês foram muito importantes na minha vida e é não à toa que eu digo que meu coração é cearense. Se você foi parte da minha vida entre dezembro de 1995 e maio de 2004, saiba que te quero bem.

9 comentários sobre “Obrigada aos amigos que não tenho mais

  1. (Lua)na (@thelumoon) disse:

    “as matinês no Mucuripe, os shows no Hotel Marina “… Que demais você falando essas coisas. Sou de outra época (com não tantos anos assim de diferença), mas sei bem do que você está falando, principalmente por ter sido aqui em Fortaleza. Eu me sinto exatamente igual e é que ainda tem muita coisa recente. Admiro muito quem sabe colocar sentimentos em palavras e conseguem falar por mim. Lindo, Hariana!

  2. Isadora disse:

    Hari, tenho 16 anos, sou cearense e moro no rio há um pouco mais de 3 anos. eu também brinquei de espiribol no recreio, fofoquei, comecei a gostar de música, fiz coreografias, fugi depois da prova pra ir ao shopping com meus amigos sem meus pais saberem, fui pra casa de praia de amigos, torcia no famoso “festival fb” e fiz muitas outras coisas que você também fez. nossa infância foi linda, né? ser criança é muito bom, mas ser criança no ceará é demais! hoje tenho muitas amizades perdidas, gente que por motivos além da distância se afastaram. tenho também aquelas amizades que nunca vão acabar, mas amo os poucos amigos que tenho hoje e tenho certeza que a vida vai me dar muitos amigos ainda! Hari, te desejo tudo de melhor, que você conquiste coisas lindas na sua vida! você brilha e vai sempre brilhar, espero que eu também brilhe assim como você! nosso futuro vai sempre ser lindo!

  3. Ricardo disse:

    Caralho, Nani! Você descreveu muito bem essa nossa época…esse batista até hoje tá sempre nas nossas rodas de conversas e até quem não estudou lá já sabe algumas histórias de cór! Podemos dizer que nosso ensino fundamental e médio foram inesquecíveis! \o/
    Quando vier por aqui de novo dá o toque que a gente prepara uma excursão ao batista! Beijão!

  4. Ana Beatriz Sugette disse:

    Vale chorar? Alaguei meu quarto agora! Se eu já fiquei mega sentida com a foto postada pelo Ricardo, imagina lendo isso! Tenho lembranças tão felizes da nossa infância! A gente era tão unida que causava até ciúme em outras amigas. Como eu amava dormir na sua casa (e me sentia no meu próprio lar, pq era muito bem tratada pela sua família maravilhosa). Como eu amava a adrenalina de passar bilhetinhos na sala de aula e o medo de ser pegue pela professora. Como eu amava chegar no colégio e compartilhar contigo as revistas que compramos com fotos do Leonaro DiCaprio e dos BSB (até hoje amo). E quando a gente cantava e dançava as músicas de Sandy e Júnior? Quase morri quando descobri que hoje você é amiga do Júnior e foi até madrinha do casamento dele. Hahahahah! Você fez parte de uma fase linda da minha vida e eu sinto muito não ter aproveitado nossa amizade e proximidade geográfica quando podia. Tenho lembranças bem nítidas da nossa infância e até hoje comento uma história aqui e outra acolá com alguém. A saudade é grande, o desejo de um reencontro é maior ainda! Vc tem algum plano de vir em Fortaleza? Se sim, vamos nos encontrar? Tô aqui, bem longe, mas numa torcida enorme pela sua felicidade! Um grande beijo em você e na sua família linda!

  5. Larissa Jorge disse:

    Hariana!

    Acho que todo mundo que é aqui de Fortaleza sentiu um apego especial a esse texto. Morei em sp até meus 11 anos e depois vim pra Fortal. O que você escreveu me toca ao concontrário, sabe? Acompanho a vida dos meus amigos de sp pela internet , tantos rumos diferentes e tante saudade do que foi. Mas saudades também nos fazem ser quem somos, nos permitem criar expectativas diferentes, nos ajudam a valorizar o agora..

    Um beijo grande e que você volte pra cá reavivar suas doces lembranças!

  6. sentanachaleira disse:

    Oi, Hariana! Adorei o teu texto! Me identifiquei com várias coisas, hehhe! Lembrei de uma frase do livro Aqui nos Encontramos, do John Berger: “O número de vidas que entram em nossa vida é incalculável”. E cada uma dessas vidas nos toca, como você falou.
    Acabei usando essa frase em um trabalho quando fiz Artes Visuais. É um vídeo meio macabro com uma música tétrica, que até combina com essa época de halloween. Vou deixar o link aqui caso você queira ver… Fiz um stop motion meio tosco com uma cadeira se movendo sozinha, e lembro que a minha discussão foi que uma cadeira não tem “vida”, não tem movimento, se nenhuma vida toca nela. Assim como uma pessoa.
    Aí vai o link: http://youtu.be/oRKaxhhnfFg
    Você escreve muito bem! 🙂

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s