À falta de talento!

A semana começou com uma crônica da Tati Bernardi do alto da sua maturidade e do seu espaço semanal na Folha de São Paulo recém conquistado proferindo palavras de desprezo e repreensão aos jovens que fazem trabalhos de graça. Tá facilzão falar isso depois de ter vivido até os 30 anos fazendo de graça pra conquistar espaço, conhecer pessoas e acumular experiência. É muito lindo ordenar ao jovem que ele cobre, cobre e cobre e esquecer dos motivos que a fizeram, por um tempo, não cobrar por seu trabalho. Conhece alguém aí que contrata com remuneração um jovem sem experiência? Tá facilzão falar depois de ter percorrido o caminho difícil de quem começa, mas enfim, que ela é uma escritora amarga eu já tinha me dado conta há um tempo, o triste é ver todo mundo compartilhando um texto que termina dizendo que sonhar depois dos 30 anos é coisa de herdeiro ou de gente sem talento. Seguindo a linha de raciocínio dela, rezo pra ser uma eterna sem talento e não perder a capacidade de sonhar e esperar coisas, seja depois dos 30, dos 50, dos 70 ou dos 90. Uma pena ver tanta gente aplaudindo meia dúzia de parágrafos transbordando hipocrisia, mas é isso que tem pra hoje, né? Que venha a terça-feira!

7 comentários sobre “À falta de talento!

  1. Georgia Domingos disse:

    Esse texto foi o mais absurdo, fiquei triste por ela.
    O que me parece é ela se sente um fracasso e se sentia isso quando precisava de ajuda dos pais.
    Ganhar dinheiro é bom, e com certeza dá um gás no seu animo.
    Começar a ganhar dinheiro é difícil, esse texto pra mim tirou todo o merecimento do aprendizado.
    Todos os estágios que eu fiz foram remunerados, mas sinceramente era um valor simbólico, o meu maior ganho foi aprender. Acho impossível eu cobrar pra fazer alguma coisa que eu não sei fazer, até antiético, acho que isso desvaloriza muita profissão, inclusive a minha, trabalho mal feito. Acho horrível desvalorizar aprendizado, e mais horrível desvalorizar os sonhos. Sonhar é pra todos, não precisa de dinheiro no bolso pra conseguir seus sonhos, só determinação.

  2. Cinara Macias (@ciimacias) disse:

    Ela foi infeliz ao finalizar com essa frase e um tanto quanto agressiva em todo o texto! Mas entendo, por um certo lado, o que ela quis dizer. Se formos olhar pelo lado da valorização, esses profissionais da área do cinema, por exemplo, não recebem apoio e respeito algum, e muitas vezes por parte dos próprios companheiros de trabalho, que um dia também passaram pelo início da carreira e sabem das dificuldades.
    Contudo, repito, ela foi infeliz em sua colocação! O estágio, por exemplo, é necessário para o aprendizado, porque é o momento de errar. Aposto que se ela não tivesse passado por isso não seria metade do que é hoje. Além do convívio com pessoas “cool” que ela mesmo citou, pois não há dinheiro que pague quando convivemos com pessoas inteligentes que tem algo a nos passar/ensinar.
    Mas enfim, o importante é nunca, nunquinha, pararmos de correr atrás de nossos sonhos e convicções, porque se não for esse o objetivo da vida, então, eu não sei qual é. As oportunidades estão aí, basta aproveitá-las. Seja com 20, 30, 40, 50 ou 100, uma hora as coisas boas que você desejou para si, vão acontecer.

  3. Natália Marques disse:

    Trabalhar de graça não é só se fuder. É fuder toda a sua categoria e além.
    A escravidão ”acabou”. Receber pelo seu é direto trabalhista e não um sonho!

  4. Larissa disse:

    Só acho que o seu texto se baseia na juventude “eternizada” (e não falo de beleza e sim visão do mundo) e não do jovem que quer ter uma vida independente, quer ter seu próprio apartamento, não precisar dos pais ou namorado, alguém que ama o que faz e com toda certeza merece ser remunerado por aquilo que está fazendo.
    Claro concordo que não devemos deixar a experiência e aprendizado de lado, mas porque não juntar isso ao agradável, e infelizmente não temos “ninguém” que “conhece alguém aí que contrata com remuneração um jovem sem experiência” justamente por pessoas que vão de um extremo ao outro. O jovem não é pra sempre jovem e nem pra sempre inexperiente, pra isso cursamos faculdade, estagiamos enquanto estamos nela, para depois usarmos tudo aquilo que aprendemos no trabalho, não precisa ser um trabalho que nos sustente logo de primeira, mas que de pra juntar uma grana e ir realizando os sonhos, subindo um degrau de cada vez. Sabe a Tati não é amarga e sim razoavelmente verdadeira com aquilo que o Brasil apresenta (não vou dizer do mundo para não exaltá-la demais).
    Quero muito que alguém aí conheça, um adulto com mais de 30 anos sonhador – estagiário achando a vida linda e que não viva na casa dos pais sem ainda ter conquistado a tão sonhada independência financeira.
    Sabe todo mundo queria viajar o mundo, acordar a qualquer hora do dia, não precisar se preocupar com dividas e trabalho. A vida poderia ser uma eterna criança, mas não é e uma hora as pessoas tem que acordar.

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