Tema fotográfico de agosto – Xícaras

Pessoal, tive uma ideia! Uma besteirinha só pra gente interagir mais… Vou lançar um tema por mês pra vocês mandarem fotos, o que acham? Eu anuncio no começo de um mês e divulgo no último dia de cada um as fotos mais legais. Não sei ainda quantas vou selecionar porque depende de quantas participações a gente vai ter… Gostaram da ideia? Se sim, aproveitem o frio de agosto pra fotografarem xícaras e canecas com seus chás, cafés, sopas, chocolates e no fim do mês a gente confere as melhores, combinado?

fotoparticipacaoagosto_FotorÉ só mandar pro e-mail hrnmnk@gmail.com com o assunto “foto agosto”! Já estou esperando ♡

Beijos!

Famous Costumes por Frederico Birchal

Frederico Birchal é um Designer mineiro que, entre muitas séries de ilustrações, tem uma que eu adoro! É a série “Famous Costumes” são posteres de filmes e séries apenas com o figurino clássico dos protagonistas, tente não ler e adivinhar cada um, muito legal mesmo!

5dfebe4a-f7c8-11e2-828e-22000a98a714jpg_800x800_upscale_q85 7dbd1f02-f7c7-11e2-b1e5-22000a98a714jpg_800x800_upscale_q85a5b736ba-f7c6-11e2-b7c5-22000a98a714jpg_800x800_upscale_q85 b5e8e637f0daab775e8591a3c7d6d276 c4d1e328-f7c7-11e2-a440-22000a98a714jpg_800x800_upscale_q85 e0a14b14f942be72e27c66eb4601bb28980c07217eaa02b2b85af77314c03887431bb4e4-f7c7-11e2-80d4-22000a98a714jpg_800x800_upscale_q85 f705c45a-f7c6-11e2-bd17-22000a98a714jpg_800x800_upscale_q85Quem gostou muito e quer comprar algumas das ilustrações, achei pra vender aqui 🙂

Sobre medos e traumas

Pedro travou em 1,65m enquanto seus amigos chegavam a 1,80m, resolveu entrar em uma academia de uma dessas lutas que a gente vê na TV, foi o jeito de recuperar sua auto-estima. Para os outros, diz apenas que foi porque gosta de lutar. Joana, que hoje tem 22, desde os 18 fala que acha uma besteira dirigir, acha que é preciso contribuir para um mundo sustentável, nunca admitiu que é o trauma daquele acidente aos treze que a impede de procurar uma auto-escola. Marcelo tem medo de altura, Priscila tem medo de avião, Felipe treme ao ver palhaços e Vanessa fica histérica diante de lagartixas. Ainda que digam que avião é o meio de transporte mais seguro do mundo, que palhaços se desmancham com água e sabão e que lagartixas são totalmente inofensivas, nada muda pra Priscila, Felipe e Vanessa. Fabíola prefere transar no escuro – odeia aquela cicatriz na barriga, Janaína não mostra suas pernas há mais de dez anos, Paula só tira fotos do seu lado esquerdo. Renato não fica a vontade com um cachorro por perto, Leandro não consegue entrar no mar, Armando nunca tirou a camiseta na praia. Eu odeio lugares cheios demais, tenho a impressão de ouvir todas as conversas ao mesmo tempo e isso me deixa absolutamente maluca! Lúcia sempre gagueja quando tem mais de duas pessoas na conversa, Mariana vive com a cara fechada – mas é que tem vergonha de sua risada com som de porco, Rui também não sorri, mas é por causa dos dentes tortos que ainda não conseguiu arrumar, já a carranca da Laís é apenas vergonha do aparelho. Ninguém chama mais João pra sair, ele nunca vai mesmo… mas o que ninguém sabe é que há um ano está com uma síndrome do pânico. Fernanda entra em uma festa procurando a saída de emergência, Luciana só senta no lado direito do ônibus – os acidentes geralmente têm o lado esquerdo atingido. Medos, traumas, paranoias… Quem não as tem? Natália é magra demais, Débora engordou muito por causa de um coração partido e nunca mais emagreceu. Raquel não consegue falar em público, Diana fica cheia de manchas vermelhas quando precisa conversar com o chefe. Cada pessoa é um conjunto de acontecimentos e de experiências e nenhum conjunto é igual a outro. E é simplesmente por esse motivo que ninguém – ninguém mesmo – tem o direito de julgar o que acontece dentro dos outros. O que é fácil pra você, pode ser impossível pra mim. O que é besteira pra mim, pode ser um bicho de sete cabeças pra você. Ninguém tem o direito de piorar o trauma de ninguém, ninguém tem o direito de ser o trauma de ninguém… Se alguém travar diante de uma situação e você estiver por perto, dê a mão e procure entender seus motivos. Dê a mão e prometa não soltar, se alguém um dia confiar a você um medo, não deboche, não faça pouco caso – confesse um medo seu também e ofereça-se a ser companhia para enfrentar os bichos dessa vida, juntem suas fraquezas e façam disso uma fortaleza. Só a gente sabe o tamanho do problema que a gente tem e a única coisa que resta aos outros é somar ou sumir.

tumblr_md51sbIrD01qg462ao2_r1_400tumblr_md51sbIrD01qg462ao3_r1_400tumblr_md51sbIrD01qg462ao1_r1_400

Essa seria só mais uma ilustração, mas não.

f1c716c02fb71a373645e5226e55826dSe eu fosse homem, minha identificação com essa ilustração seria ainda maior. Aos 13 anos, se eu fosse um menino, eu teria moicano. Aos 13 anos, eu imprimia páginas e páginas sobre a anarquia e o movimento punk, andava pra cima e pra baixo as lendo e achava que aquilo era a coisa mais linda do mundo. Eu andava com camisetas pretas de rock com cruzes cortadas, com caveiras, ouvia umas músicas mal feitas e muito barulhentas. Passava a semana pedindo pro meu pai deixar eu ir em shows no fim de semana em uma casa escura e sem estrutura, eu odiava as patricinhas da escola, trocava fitas cassete com os meninos e dedicava a minha vida a pedir pra minha mãe assinar um papel que autorizasse eu tatuar um A da anarquia no pulso. Eu morava na terra do forró, fazia 30 graus o ano inteiro, mas ouvia hardcore e usava preto. Não, não vim falar sobre a minha pré-adolescência revoltada – até porque nunca me revoltei. Mãe, se você estiver lendo isso, esse texto é pra você! Não deve ser fácil ser mãe, mãe de uma menina menos ainda, mãe de DUAS, meu Deus… Isso é para as heroínas. Eu sou a mais velha, fui a primeira a crescer e não deve ter sido nada legal quando barulhos estranhos começaram a ecoar do meu quarto, quando apareci com a ideia de pintar a parede de preto e quando surgi em casa com uma camiseta estampando as palavras BAD RELIGION. Ela, do interior do Rio Grande do Sul, foi uma adolescente hippie, fã de Bob Marley e se tornou uma mãe de tirar o chapéu, ao contrário das mães religiosas das meninas da minha turma, ela não se revoltou e nem tentou mudar as minhas decisões… Foi a primeira a se oferecer a me levar na galeria do rock quando demonstrei o interesse em ir e me levou uma, duas, três, quantas vezes eu quis ir. Ela me deu as camisetas pretas, os CDs barulhentos, ela me acompanhou quando quis colocar meu piercing no nariz aos 15. Me levou na costureira pra fazer minha saia camuflada de pregas que eu tanto queria e não achava em lugar nenhum. Nunca me pediu pra tirar o coturno e nem disse que aquela corrente pendurada na minha saia era ridícula, eu não sabia me maquiar, meu olho preto quem fazia era ela. Me ouvia todos os dias seguintes dos shows quando eu, eufórica, contava dos moshs que eu tinha visto e sobre como era interessante observar aquela roda punk, ela fingia um interesse realmente convincente. Ela não me julgou quando cortei curtíssimo o cabelo que era na cintura, disse que eu estava estilosa. Explicou para meus avós que era uma fase e que era pra me deixarem, segurou as pontas com meu pai – pra ele deve ter sido mais difícil ainda. Aliás, ela me apresentou a MTV quando eu ainda era uma criança, me fez admirar o Gastão que depois me levou pra TV Cultura e com Musikaos me jogou mais ainda nesse meio “underground” e que mãe nenhuma entendia. Ela até se arriscava a escutar umas músicas que eu pedia pra ela ouvir e era sincera “a mãe não gosta disso, filha”. Ela me deu meu primeiro all-star, convenceu meu pai a me deixar ir no primeiro show de rock e ao me deixar na porta, antes de eu sair do carro, disse que eu estava linda – eu não estava. Essa ilustração me deixou com um sorriso no rosto e me remeteu a minha mãe porque ela sempre me respeitou, nunca quis que eu fosse outra coisa que eu não sou, mesmo que eu fosse diferente das outras meninas da minha idade e diferente de qualquer coisa que ela mesma tenha sido. Ela suportou meus choros quando eu chegava em casa arrasada pelos bullyings que sofria na escola e tentava me convencer que eu não era a menina mais feia da turma – como eu realmente acreditava ser. Ela sempre me encorajou a ser Hariana, nunca quis que eu fosse Débora, Gabriela, Bruna, Fernanda, nunca me comparou, ela só queria que eu fosse eu e que eu respeitasse as Déboras, Gabrielas, Brunas e Fernandas. Ela me ensinou que não importa a carapuça, não importa o que está no meu armário, no meu discman – que evoluiu pro ipod ou nos meus cadernos de anotações. Ela nunca quis controlar meus instintos, sempre me apoiou e me ensinou a cuidar do quem tem dentro. Ela me ensinou sobre respeitar, sobre olhar as coisas boas da vida, me ensinou como se ama alguém, me ensinou que ser do bem vale muito mais a pena e foi, justamente, por ela nunca ter me julgado e sempre ter me respeitado que eu aprendi isso tudo. Ela era marinheira de primeira viagem, não sabia como criar alguém e adotou a melhor das estratégias: deu o exemplo. Hoje eu abandonei a ideia da anarquia, sou grata por ela não ter assinado o papel do A, quase não tenho camisetas de banda, abrangi muito meu gosto musical, cresci, me tornei uma pessoa de bem, nunca repeti de ano na escola, me formei na faculdade e ganho meu próprio dinheiro, deu tudo certo – ela sabia que daria. Quanto às minhas amigas que cresceram sendo o que as mães queria que elas fossem…. bom, elas estão ainda tentando se encontrar, perderam-se de si mesmas muito cedo e para um adulto é muito mais difícil reconhecer-se depois de tantos anos, a memória é fraca e o caminho de volta talvez nunca seja encontrado. Obrigada, mãe, por mesmo ouvindo reggae e usando saias hippies ter me dado meus CDs de rock e camisetas com estampas agressivas, parece uma besteira sem tamanho, parece um exagero, mas esse respeito nos anos em que eu me formava como pessoa fizeram toda a diferença e eu seria hoje uma pessoa totalmente diferente se tivesse tido que lidar com a sua censura. Obrigada, o que eu sou, eu dedico à você.

O segredo dela.

Levantou atrasada mais uma vez, alguém poderia, por favor, excluir a função “adiar” do celular dela? Obrigada. Apanhou o óculos na cabeceira, os três celulares, chutou um par de sapatos que estava no meio do caminho, abriu a porta e foi correndo ligar a cafeteira. Ligou a TV no jornal da manhã, como aquela apresentadora está sempre tão linda às sete da manhã? Podiam dizer que ela tinha inveja, mas era raiva – que mundo injusto. Foi ao banheiro e na hora de lavar o rosto, aquele encontro desagradável com o espelho. Tem dias que tudo que a gente precisa pra ficar de mal com a vida é o espelho… É uma feiura que vem de dentro pra fora. O cabelo tá lindo, a pele macia – aquele creme novo e caro realmente valeu a pena. As olheiras estão ali, como sempre, mas já são parte dela, nem incomodam tanto assim. O encontro com o espelho é dramático por causa daquele trabalho mal acabado da sexta-feira, por causa daquele churros totalmente desnecessário do sábado. Ela está feia, está estranha, o pijama novo é muito bonito, mas aquela rispidez ontem ao telefone com a mãe e o domingo totalmente inútil no sofá apagaram o brilho que era pra estar nesse rosto. Volta pro quarto, pega a bandeja inteira de maquiagem e passa tudo que consegue. Primer, base, pó, blush, iluminador, bronzeador, delineador, sombra, batom, rímel. Hmmmmm, ainda não. Cadê a chapinha? Cabelo liso, OK. Tudo pronto, o reflexo não se parece mais com ela, tá tudo bem, pronta pra começar a semana disfarçada de outra pessoa. Coloca aquele salto, a camisa mais cara, toma o café, escova os dentes e mãos à obra, hora de trabalhar e consertar aquele ilxo que entregou na sexta, almoça uma salada, manda um e-mail pra sua mãe contando as novidades, liga pro pai pra dizer que ama. Um lanche da tarde sem pão de queijo da esquina, ao voltar pra casa, lava a roupa e a louça e o dia chega ao fim. No segundo dia da semana o reflexo está menos repudiante, não vai precisar da bandeja toda de maquiagem de novo, só uma um retoque aqui, outro ali e já é o suficiente para disfarçar o que ainda está ruim do lado de dentro. A semana passa dentro dos conformes e na sexta-feira o cabelo foi natural mesmo, o potinho do corretivo foi o único representante do exército da maquiagem e a calça jeans com aquela camisa de botão velhinha nunca cairam tão bem e o acessório do dia era o sorriso largo. Ela estava bem e na vida dela era assim, quanto melhor estivesse, menos artifícios usava. A insatisfação interna é proporcional à quantidade de maquiagem no rosto, é tão simples lê-la: se está maquiada, vá com calma, estude o território antes, não fale qualquer coisa impensada, as consequências podem ser arrasadoras. O dia da calça jeans e do potinho de corretivo é o mais indicado para conversas sérias – por que diabos o horóscopo não alerta as pessoas sobre isso? O fim de semana correu bem, não saiu da dieta, colocou o papo em dia com os pais, a casa estava arrumada e na segunda-feira seguinte o despertador não precisou sequer tocar, ela despertou antes, estava bem pra viver mais uma semana e tinha pressa – olhou pra bandeja de maquiagem, mandou um beijo silencioso pra todos aqueles pincéis, não saiu com nenhum potinho e ao lavar o rosto, o encontro com o espelho foi doce – mais uma semana, pode vir!

– Não sei quando foi escrito, tirei da pasta “Sem Título” do meu computador em homenagem ao fim do domingo. Boa semana a todos!

Beijos!

Divagações de um sábado solitário – amar sem defeitos é amar de mentira.

Na esquina do quarto, uma luminária em forma de árvore – a primeira peça de decoração que comprei quando nos mudamos para este apartamento. Do meu lado direito a taça de vinho que eu aproveito pra beber quando estou sozinha, ele não bebe. No som, uma seleção de músicas bem melancólicas que só servem para serem ouvidas na solidão. Em algum apartamento por perto duas pessoas brigam, talvez mais de duas. O caminhão do lixo parece estar parado na nossa rua há mais de uma hora e as janelas fazem barulho com qualquer rajada de vento lá fora. É um milagre, a bancada não tem uma peça de roupa minha sequer, na rede social aberta aqui na frente, várias notificações saltam na tela. De pijama embaixo de dois cobertores e sobre o travesseiro dele – há um prazer em dormir com ele quando a cama fica só pra mim. O moletom extra grande do Mickey não me deixa nada sexy, a cara lavada, o cabelo preso e os óculos só pioram minha situação. Onde ele está não tem sinal de celular, nem que eu quisesse poderia conversar com ele agora, então me arrasto um pouco pro lado esquerdo da cama, onde ele estaria agora não fosse  o trabalho. Em um momento de reflexão comigo mesma, analiso tudo que acontece e o caminho em que estamos. Já não existe mais aquela necessidade de impressionar, não tem mais aquele cuidado ao escolher as palavras e o mau humor nunca mais foi escondido, agora qualquer mau tempo é assumido e ai de quem reclamar! Não há mais a necessidade de arrumar-se e perfurmar-se com todo cuidado no encontro e eu não preciso mais fingir que não tenho frescura pra comer. A bochecha não cora mais com os comentários dele e ele já nem leva mais a sério quando me declaro. Eu o chamo de lindo, ele também não parece mais acreditar. Ele já não me elogia mais com a mesma frequência e não pensa mais duas vezes antes de brigar comigo. A tolerância e o receio de puxar a orelha foi embora há muito tempo para os dois, incomodou-falou, agora é assim. E se não falou, o bico e cara fechada entregam: tem algo errado no ar. A gente já não se presenteia tanto quanto antes e as declarações públicas de afeto têm sido cada vez mais raras. E você aí que me lê, acha que isso é um desabafo melancólico/nostálgico, né? Pois bem, aí que você se engana. Antes de viajar, ele me disse que na volta compraríamos o tapete novo da sala. Aliás, pela primeira vez não o levei até o ponto de encontro onde partiria para estrada, pedi que fosse com o carro e o deixasse no estacionamento. Ele pediu que eu ficasse mesmo em casa, não é seguro sair por aí de madrugada, São Paulo não é brincadeira. Ele pediu que eu arrumasse o armário dele – já está uma bagunça e ele não acha mais nada – e ele não consegue arrumar aquelas roupas todas. Quando ele me pergunta onde foi parar o gorro dele, eu sei que é um jeito de admitir que precisa de mim – eu sempre sei onde está o gorro. Algum dia nessa semana, eu o peguei sentado no chão na frente da vitrola ouvindo alguns discos antigos, em silêncio me ajoelhei ao lado dele e dei meu ombro, caso ele precisasse – ele precisava. Ele deu o nome do meu carro novo, eu já acatei. Ele vai voltar e logo vai ter que trabalhar de novo, já sei que não posso esperar o melhor dele nos próximos dias e tá tudo bem. Eu não digo que tenho saudade, mas arrumo a casa pra recebê-lo da melhor forma possível. Saio sem ele, mas me arrependo, volto cedo. Já não há mais nomes de pessoas nas nossas vidas que não saibamos quem são. Não é mais preciso esconder que sente ciúme e nem há mais cerimônia nos questionamentos: “quem é esse cara que você começou a seguir?” ou “por que você está seguindo essa menina?”. Eu não digo que o amo com a mesma frequência de antes, mas nunca saio da cama sem antes arrumar a coberta sobre ele. Ele não me elogia mais, mas volta e meia coloca os holofotes sobre mim e me fotografa – eu sei  o que isso quer dizer. Quando faço o almoço dele, antes de entregar o prato, pergunto se ele sabe qual foi o ingrediente extra que coloquei e ele responde de primeira, sem pestanejar: amor. Aí eu vejo as grandes declarações por aí, vejo pessoas sedentas de palavras, de fotos, de faixas, de outdoors… Coitados, amor não é nada disso. Amar é brigar, é querer esganar às vezes, é xingar, é irritar-se, mas nunca – nunca – abandonar. Amar é abrir mão das suas poucas horas de sono para esperar o outro para jantar, amar é não ligar mais se a calcinha é bege, se a barba está mal feita, se as olheiras estão enormes, se a careca está aumentando. Amar é não aquietar-se até que veja nos olhos do outro que está tudo bem. Aliás, amar é acreditar apenas nos olhos. De nada adianta ouvir um “tá tudo bem” se os olhos entregam o contrário. Não disfarço mais a TPM, não escondo o ciúme, assumo os quilinhos a mais, abro o jogo quando estou brava e até aprendi a dizer não. Ele nunca mais acordou mais cedo por minha causa e nem abriu mão de um jogo do Corinthians, não ouve mais um segundo daquela música ruim que gosto e nem repara mais quando pinto as sobrancelhas. Quando a gente ama, a gente relaxa e isso não é ruim, a gente aprende que o sentimento é impresso em atitudes pequenas que só quem sente consegue ver. Veja só, a gente precisa comprar um tapete, uma TV pro quarto e ele precisa descansar, eu preciso fazer uma cirurgia, a água acabou, quando ele voltar, precisamos ir ao mercado, amar é dividir. Temos algumas jantas com amigos a marcar e sei as encomendas que estão para chegar em nome dele, ele sabe que se for pra mim, é o Sr. Fredericksen. Ele tirou férias e viajou pro exterior sozinho, mas a mala veio cheia de presentes pra mim. Eu viajei para a casa dos meus pais e ao invés de sair com amigos antigos, acabei ficando na cama trocando mensagens com ele. Ele foi trabalhar e voltou com um chá de maçã pra mim, fui à uma reunião e voltei com um chocolate para ele. Ele não divulga mais fotos nossas com frases feitas, mas quando temos que ir no mercado, ele vai no meu preferido. Eu não me declaro mais aos sete ventos, mas abro mão do que precisar pra ver o sorriso no rosto dele. Esse aqui deveria ser mais um dos meus tantos textos que escrevo e guardo na pasta mais secreta do meu computador e que nunca são divulgados, mas achei que pudesse ser interessante mostrar que o amor perfeito não existe. O amor é essa coisa bagunçada, cheia de defeitos, estranha e confusa. O amor não é gritado, o amor é só sentido, é preciso sensibilidade para perceber o que pequenas ações querem dizer. Quando pego a estrada, sei que a necessidade dele de uma mensagem minha dizendo que cheguei bem é uma forma de amar e ele sabe que o amo quando antes de pegar essa estrada, eu o beijo na testa e me asseguro de que está coberto. O que quero dizer pra vocês é que os contos de fadas hoje me cansam e que documentários é que passaram a fazer sentido pra mim. Príncipes viram sapos e carruagens viram abóboras, bom mesmo é viver baseado em fatos reais onde amamos sapos e nos divertimos passeando em abóboras. E se você ainda não enxerga isso, tudo bem, eu entendo… Talvez ainda precise conhecer alguns falsos príncipes pra entender que a felicidade de verdade está naquele sapo que não faz a menor questão de negar que é sapo, uma hora sua meia-noite chega e, com ela, a felicidade também.

Tengo Ganas de Ti ♡

Algum dia essa semana deitei no sofá da sala à noite e, despretensiosamente, resolvi assistir a um filme no Netflix. Um filme espanhol de 2012: Tengo Ganas de Ti ou Sou Louco Por Você como veio traduzido pro Brasil. Adorei! O filme gira em torno de Hugo – um moço bonito que corre de moto e pratica boxe – que depois de ter o coração estraçalhado foi passar um tempo em Londres e está voltando à Barcelona – ainda com o coração destruído. Quando volta, tudo está diferente, ele tenta mudar de ares e conhece Genebra, uma menina super interessante, super intensa e cheia de hobbies. Enquanto ele se envolve com ela, a sombra de Babi, sua ex, está sempre por perto. Um filme cheio de feridas querendo ser curadas e mostrando que sempre há esperança, mesmo quando tudo parece perdido. Adorei!!!

a-tres-metros-sobre-el-cielo--tengo-ganas-de-ti-9788408007159

large