O Pequeno Príncipe

Esses dias, via Twitter, dei algumas opções de posts e entre eles estava o pequeno príncipe que recebeu a maioria dos votos. Muitas pessoas querendo entender o porquê de eu amar tanto este livro (escrito em 1943) a ponto de eu tatuar uma referência a ele e muitas pessoas que não tinham sequer lido. Pois bem, eu explico e tenho certeza que vocês vão se apaixonar.

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(Minha coleção)

Exupéry, antes de começar o livro, se desculpa com as crianças, este não é um livro para elas. O Pequeno Príncipe é quase uma bíblia, um guia para pessoas de bem. É delicado e o principezinho, em suas voltas pelos mundos, encontra muita gente adulta e gente adulta é complicada demais. Encontra adulto que bebe pra esquecer que bebe, conclui que os adultos só pensam em números, se conhece alguém quer logo saber quantos anos tem, quantos filhos, quanto pesa, quanto ganha. Pouco importa sobre quantas árvores há no terreno de uma casa, quantos pássaros a rodeiam, se o telhado é bonito, querem saber quanto custa. Adultos são autoritários, precisam de explicações demais, adultos vivem com regras e eles sempre esquecem que já foram crianças um dia.

Todas as pessoas grandes foram um dia crianças – mas poucas se lembram disso.”

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A serpente que o encontra fala que é possível se sentir sozinho entre os homens.

Com o Príncipe, aprendi que é preciso ter e dar valor aos rituais, ritual para acordar, tomar banho, comer, acender uma vela… Rituais tornam as coisas simples mais especiais. No deserto, ele entende que o essencial é invísivel aos olhos, o que faz o deserto belo é que ele esconde um poço em algum lugar.

O Pequeno Príncipe ensina que é preciso exigir de cada um o que cada um pode dar, nem mais nem menos, é preciso respeitar as limitações de cada um. A raposa ensina sobre o que é cativar – é criar laços. E diz também que a gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar… é normal. Só se conhece bem aquilo que foi cativado e você será eternamente responsável pelas pessoas que cativou… Após cativar alguém, aquela pessoa que antes seria somente uma pessoa entre tantas pessoas, passará a ser única no mundo. É preciso respeitar os horários para que dê tempo de ser feliz, se espera alguém que vem às quatro da tarde, desde às três começará a ser feliz.

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Ao encontrar um vendedor de pílulas que matam a sede, ele vê que muitas vezes compramos coisas que são totalmente desnecessárias, durante a viagem se dá conta que as pessoas não aproveitam as pequenas coisas, preferem dormir a apreciar a paisagem pelas vidraças.

Com a rosa dele, que tem espinhos, aprendeu a amar, apesar da possbilidade de machucar. Foi o tempo que dedicou à sua rosa que a fez tão importante, a importância é proporcional à dedicação. Aprendeu que no amor, quanto mais se dá, mais se tem, que o amor é a única coisa que cresce quando se divide.

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Ao dizer que é preciso suportar duas ou três lagartas se quiser conhecer as borboletas, ele nos mostra que as dificuldades são importantes e que não se pode desistir, a recompensa sempre vale a pena.

Em suas viagens, ele aprende que a linguagem é uma fonte de mal entendidos, portanto, calar pode ser muito inteligente. Quanto está triste, ele assiste ao pôr-do-Sol e pode fazer isso muitas vezes ao dia dando voltas em seu pequeno planeta, as pequenas coisas são de graça.  Em suas andanças percebe que as pessoas que passam por sua vida, passam levando um pouco dele e deixando um pouco de si.

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O Príncipe acredita que trodas as estrelas são iluminadas para que cada um possa encontrar a sua. Ainda sobre as estrelas, ele diz que elas podem ter significados diferentes para as pessoas. Se para algumas são apenas luzinhas brilhantes no céu, para os viajantes, são guias. Para o negociante, são ouro e para os sábios, são problemas. Onde ele mora é muito pequeno e se perde entre as estrelas, ele não consegue explicar ao piloto como reconhecer seu asteróide e isso faz com que a serpente soria ao olhar pro céu após a despedida:

Quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem sorrir! Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo (basta olhar para o céu e estarei lá). Terás vontade de rir comigo. E abrirá, às vezes, a janela à toa, por gosto… e teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!

O livro é cheio de pequenas pequenezas, são frases, palavras, pensamentos que se revelam a cada vez que se lê o livro, é livro pra ser lido e relido muitas vezes na vida. Cada lida é uma interpretação nova, o livro mostra o quanto os valores se perdem a medida que crescemos e nos ajuda a resgatar a criança dentro de nós e que fomos, nos ajuda a enxergar que não podemos endurecer tanto assim com a maturidade, o cotidiano, os problemas. Para mim, o livro é sobre isso, sobre não deixarmos a criança morrer apesar da idade adulta.

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O pequeno príncipe se despede do livro nos ensinando sobre morrer. É preciso que se morra aqui para que se possa viver em outro lugar. E que a morte nada mais é que deixar a concha, a carcaça para trás e que isso não pode e nem deve ser triste. Após morrer, o Pequeno Príncipe volta ao seu asteróide para cuidar de sua rosa e isso mostra que morrer fisicamente não impede com que seus valores continuem a viver na Terra, mas o último capítulo do livro sempre foi polêmico e até hoje existem muitas interpretações sobre ele, há dúvidas se o príncipe morreu ou não. Eu acho que ele desencarnou, abandonou o corpo, mas continua vivo como sempre. Até hoje.

Tu compreendes. É muito longe. Eu não posso carregar este corpo. É muito pesado.”

Mas será como uma velha concha abandonada. Não tem nada de triste numa velha concha…

Permaneceu, por um instante, imóvel. Não gritou. Tombou devagarinho, como uma árvore tomba. Nem fez sequer barulho, por causa da areia

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Imagens: Folha de São Paulo e Instagram

17 comentários sobre “O Pequeno Príncipe

  1. Juliana disse:

    Hariana, tu descreveu esse livro lindamente com toda sua simplicidade e grandeza que poucos conseguem, parabéns. Nessa parte que tu citou: “Quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem sorrir! Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo (basta olhar para o céu e estarei lá). Terás vontade de rir comigo. E abrirá, às vezes, a janela à toa, por gosto… e teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!“ eu acho que chorei umas duas horas direto. É inexplicável o que esse livro nos transmite em poucas páginas que se podem ler em menos de um dia um aprendizado pra vida toda. Acompanho teu blog desde o começo e te digo: tu te supera a cada post! Beijo!

  2. Nathália Dias disse:

    Um dos meus posts favoritos do seu blog. Acho que todo mundo, um dia, deve ser esse livro. É lindo, leve, inspirador, cheio de ensinamentos e de fazer o coração transbordar amor. É uma história que eu carrego para a vida.

  3. Luana Teles (@thelumoon) disse:

    Arrasou, Hariana! Amei o post. Esse livro é o livro da sua vida, da minha e de muitas pessoas mesmo. Ainda bem, né?! Isso é algo bom, “Um guia para pessoas de bem”, como você disse.
    Além de achar que todo mundo deva ler esse livro uma vez na vida, acho que deva ler todo ano, pelo menos. Com o dia a dia, a gente tende (quase sempre) a esquecer as pequenezas que importam. E isso não pode acontecer.
    Beijos.

  4. beabyy disse:

    Meu Deus, que post incrível! Com certeza um dos melhores. Mas tenho uma confissão a fazer: nunca li, e pretendo começar agora. A vontade cresceu depois de ler esse post. Parece o melhor livro do mundo, aquele pra vida.
    Adorei!

  5. Lys disse:

    O texto ficou muito bonito, só queria te corrigir num pequeno deslize: você disse que o príncipe falou “Quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem! (…)” para a serpente, mas na verdade foi para o piloto. O livro é um dos meus preferidos também, é profundo na simplicidade.

  6. fashionaries disse:

    Que post lindo! Sou apaixonada pelo livro também. O autor A.G. Roemmers escreveu uma continuação do Pequeno Príncipe como se ele estivesse na adolescência (o nome é ” O Retorno do Jovem Príncipe”). É muito bom, comprei já faz um tempo e adorei! Você já leu?
    Beijos

  7. Si Zanlorense disse:

    Hari, que interpretação linda. Adoro esse livro desde o primeiro contato que tive com ele. Realmente lições pra vida. Escrevi pra perguntar se você tem/leu O Amor do Pequeno Principe – Cartas a uma Desconhecida.. esse livro tambem me diz muita coisa, e mesmo depois de ler e reler, ainda emociona. Beijos, lindo blog.

  8. fabiars disse:

    Estava eu, sapeando pelas páginas. Numa tarde, resolvi comprar um livro para presentear meu sobrinho de oito anos. E ainda, algo que eu pudesse saborear com ele, como nosso pequeno universo particular … Queria algo que fosse como a abertura de uma nova porta para o mundo da leitura e também, algo que o marcasse como o ponto de partida para um novo mundo, que ele pudesse carregar pra sempre, tatuado no seu coração. Pequeno príncipe me veio a mente e fiquei pensando se não seria uma leitura pesada pra uma criança na idade dele que, começa agora a conhecer o mundo. No seu post, me aliviei por ver que é sim, um livro mágico que vai, talvez, guiá-lo para que quando adulto, preserve sua essência de criança, seus sentimentos juvenis, sua primeira inocência … Amei! Obrigada por esse momento!

  9. Fatima Azevedo disse:

    Li este livro quando tinha 15 anos, li de novo aos 25, aos 40 comprei prá mim querida filha, e hoje aos 60 dei presente minha neta de 9 anos. Realmente todos nós somos responsáveis por quem nos cativas, e você soube dá uma dimensão maravilhosa, obg Fátima

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