O bom da vida.

Lençóis brancos, velas, sorvete de menta, cheiro de livro novo, café, chá, iTunes, tênis, esmaltes vermelhos, cabelos escuros, sardas, travesseiro gelado, dias amanhecendo, feiras, frio, carros abrindo espaço para ambulâncias, cinema vazio, aromatizantes, Paris, cozinha arrumada, flores, fones de ouvido, canecas, cremes, sorine, língua francesa, abraço apertado, Macintosh, óculos, praia no inverno, shows em teatros, noites de sexta-feira, manhãs de domingo, croissant, chocolate, água mineral, fotografias, a risada do meu namorado, as mãos do meu pai, os pés da minha mãe, os olhos da minha irmã, família, cachorros, músicas com violões, cachecóis, cadernos, emagrecer, cartões, torta de maçã, feriados no meio da semana, livrarias, liquidação, beijo na testa, aeroportos, dar presentes, vento no rosto, rodovias, piscina em dias quentes, endorfina, trabalho reconhecido, sono até meio-dia, roupas novas, viagens, festas de fim de ano, crise de riso, edredons, google street view, chuva, caminhadas, suéters e moletons extra-grandes, downloads rápidos, havaianas, meias, banhos demorados, doce de leite, rímel, pés descalços, ad infinitum.

 

E tem gente que não é feliz.

Hello, november

Os meses vão passando e a gente vai vivendo eles, dias passam, semanas voam, meses acabam e a gente vai vivendo. Não sei se é só comigo ou se todo mundo sente um baque quando o mês vira 11. Novembro é sempre o mês do susto, susto por mais um ano já estar acabando, por ver que muitas das resoluções do ano-novo se perderam enquanto atravessavam as estações. É mês em que a gente fica se perguntando o que fez da vida nos dez meses que ficaram pra trás e você prometeu que seriam diferentes. É mês que você quer resolver todas as pendências possíveis e correr atrás dos dias que você viu passar sem fazer nada. Novembro é uma confusão mental, é um desespero. É uma mistura de nostalgia pelo que passou e ansiedade pelo que está por vir, é um mês reflexivo.

Nos últimos dez meses eu fiz muita coisa, eu fui promovida no trabalho duas vezes, eu mudei de cidade (acabando com uma distância que me matava), saí da aba dos meus pais, eu mudei de casa, eu assumi mais e maiores responsabilidades, eu evoluí aos olhos dos que defendem que a gente tá aí nesse mundo pra trabalhar, ganhar dinheiro, prosperar.  Ainda estou no começo da escada, mas alguns degraus já ficaram pra trás. E aí vem a minha consciência: será que evoluí mesmo?

Nesse ano, por causa dessa chamada “evolução”, eu senti que alguns dos meus valores ficaram de lado e isso é meio triste. Perdi contato com pessoas queridas, que eu penso quase todo dia, mas que já não sei mais como me reaproximar. E quanto mais o tempo passa, pior e mais difícil fica. Talvez pela minha vida de tantas mudanças, eu acabei desaprendendo a manter laços, eles sempre se desfazem sem que eu consiga evitar.

Há quem ache que dezembro é mês disso tudo, mas pra mim é novembro… Em dezembro a renovação já começa, o peito incha de um monte de sentimentos bons, transborda de esperança. A mente parece que se ilumina com as luzes de natal e os papais-noéis pelas ruas parecem nos ajudar a acreditar de novo em coisas que o tempo nos fez deixar de acreditar. As pessoas ficam mais bonitas, parece que sorriem mais, não sei se é ilusão minha por tanto amar os fins dos anos ou se isso realmente procede. O que sei é que dezembro é um mês mágico pra mim.

Em meio à minha reflexão toda de novembro e meus arrependimentos, fica a vontade de uma vida mais leve em 2013. Que eu aprenda a respirar fundo, que eu tenha sabedoria pra aceitar que algumas coisas eu não possa mudar. Que minha sede de dominar o mundo vá embora, que eu esqueça o que é ansiedade e que, com isso, enxaqueca e gastrite eu só ouça falar aos domingos com o Dráuzio Varella.

Pro novo ano, eu quero descobrir um caminho de volta para as minhas amigas, quero mais tempo pra minha família e uma cabeça menos cheia nas minhas horas livres. Quero mais horas livres. Quero ficar acordada até mais tarde com meu namorado, ser uma companhia mais agradável, não absorver os problemas de todo mundo, quero tomar café da manhã sentada e não mais no elevador. Acho que é isso, no ano em que eu completo 25 anos e chego onde eu sempre quis estar profissionalmente, antes de dinheiro e sucesso profissional, eu quero paz interna e quero aprender a viver a vida sem cobranças exageradas, sem problemas de sono e de estômago, quero mais música, mais livro, mais filme, mais amor, mais crises de riso, eu quero mais viver por mim e por quem me quer bem.

E você? O que vai fazer de diferente?