Roteiro de Viagem: Lisboa – Parte 1

Em julho de 2017, eu e o Bruno fomos a Portugal e eu prometi que faria um post sobre a viagem. Adivinhem? Esse post nunca saiu! Mas antes tarde do que nunca, né?

Fomos no verão… NÃO subestimem o verão português! rs. Passamos alguns dias de muito calor por lá. Primeiro conselho que eu dou é: se possível, alugue um carro. Ficamos em Lisboa, mas por estarmos com carro conseguimos ir a muitos lugares nas redondezas que valem MUITO a pena.

Onde comer e beber em Lisboa?

Achei que um post seria suficiente, mas conforme fui escrevendo, achei mais prudente separar em algumas partes. Vou começar logo por esse tema porque se tem uma coisa que não dá pra reclamar é da qualidade, da variedade e dos preços das comidas. Come-se muito bem em Lisboa! Ganhamos alguns quilinhos, mas valeu cada caloria ingerida.

pensao-pinkwineNo primeiro dia que saímos à noite, fomos andar pelos arredores da Rua Cor-de-Rosa… No século XX, era reduto de muitos bordéis frequentados por marinheiros. O que antes era a casa das prostitutas, hoje é uma das ruas mais movimentadas de Lisboa por turistas. Muitas das casas foram mantidas e transformadas em bares, baladas e restaurantes.

Pensão do Amor entra, pra mim, na lista de lugares imprescindíveis de se visitar em Lisboa. Por uma portinha na Rua do Alecrim, você entra e já nota nas paredes das escadas, com frases eróticas e desenhos de mulheres, o clima do lugar. Estofados vermelhos, luzes reduzidas, frases de poetas portugueses nas paredes e bonecos em posições do Kama Sutra no banheiro não deixam dúvida sobre o que funcionava lá anos atrás.

A sala de pole dance foi mantida e lá, andando pela casa, em uma das portas você se depara com uma livraria de livros eróticos e uma loja de produtos da mesma categoria. No último salão funciona um restaurante, mas o clima do lugar é bem de bar. A foto que tiramos foi em um Photo Booth lá dentro.

Ainda pelos arredores da Rua Rosa, entramos no Pink Wine Point, um bar com muitos drinks deliciosos, mas com ambiente bem informal. Acredito que seja similar a muitos dos bares da região. Se estiver com o tempo apertado, priorize os antigos bordéis.

zerozero-ginloversA pizzaria ZeroZero é pra aqueles que amam uma boa pizza! Os ingredientes são 100% italianos e é uma das melhores pizzas que já comi na minha vida… elas são individuais, MUITO bem servidas e, por alguma razão, eu que só consigo comer 2 pedaços de pizza no Brasil, devorei a minha inteira. Ficamos na parte externa do lugar, o ambiente é muito gostoso. É difícil resistir a charcuteria deles na saída. É possível comprar queijos e presuntos italianos da melhor qualidade lá mesmo!

Apenas 120m adiante da ZeroZero, está um dos meus lugares queridinhos da viagem! O Gin Lovers. O nome fala por si só, né? É o paraíso dos amantes de gin! O Gin Lovers fica dentro do centro comercial Embaixada. A construção é originalmente um palácio do século XIX. Lá dentro tem lojas de roupas e artesanato local e o paraíso do gin é o centro do palácio junto com o restaurante LESS. Como estava um dia gostoso de verão, sentamos na parte externa também. São marcas de gin do mundo inteiro e garçons e bartenders que entendem MUITO do assunto. Lá você pode comprar garrafas, especiarias e acessórios de G&T e provar combinações deliciosas.

Vale a pena perder um tempinho dando uma volta a pé pelo bairro Príncipe Real depois de sair da Embaixada. É um bairro residencial, com muitos verde dos parques, vários lugares charmosos e restaurantes gostosos. Queríamos MUITO ter ido em um chamado A Cevicheria. Ouvimos falar muito bem da comida deles e ficamos encantados com o lugar quando fomos, mas estava muito lotado e a fome não nos deixou esperar.

pavilhao-topochiadoUm casal de amigos portugueses nos levou em um bar que é um dos favoritos deles. Acho legal viver as cidades que visito com pessoas locais, tem lugares que só elas conhecem. O bar é o Pavilhão Chinês! O cardápio de drinks é infinito, mas não é isso que impressiona! O que impressiona é a estrutura do lugar que tem mais de 5 salões temáticos distribuídos em 250m² que abrigam uma coleção de brinquedos com mais de TRINTA MIL itens. Há mais brinquedos expostos no Pavilhão Chinês que no próprio Museu do Brinquedo em Portugal. No mesmo local funcionou como uma mercearia entre 1901 e 1980. O dono já faleceu, mas hoje o lugar é mantido pela família. Vale a pena a passadinha pra um drink e uma partidinha de sinuca.  Já o Topo Chiado é um restaurante MUITO gostoso que fica no topo de um prédio pertinho do Elevador Santa Justa que é um ponto turístico da cidade bem conhecido por sua vista. Nós optamos por não subir no elevador quando nos demos conta de que a vista dele seria a mesma do restaurante que estávamos… No mesmo lugar, no verão, acontecem sessões noturnas de cinema ao ar livre. O clima é muito gostoso!

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Fachada do Red Frog em Lisboa (fonte: trendy.pt)

Em uma travessa da Av. Liberdade, a Champs-Élysées de Lisboa, tem uma porta preta grande com  um sapo vermelho na parede ao lado da porta. Nenhuma palavra, nenhum letreiro, nada. Esse é o Red Frog. Nos aproximamos da porta, tocamos a campainha abaixo do sapo que dizia “press for cocktails” e aguardamos. Em pouco tempo uma moça veio nos buscar na porta, descemos as escadas e chegamos em um salão de luz muito baixa, com pessoas falando aos sussurros e muito aconchegante. Lemos as regras da casa… entre elas: não fotografar com flash, celulares no silencioso e homens não devem se aproximar de mulheres, mulheres que devem dar o primeiro sinal.

O Red Frog já foi eleito o melhor bar de Portugal e está na lista do 100 melhores bares do mundo! Os drinks preparados no balcão sob os olhos dos clientes são verdadeiras obras de arte! Não conseguimos fotografar lá dentro por causa da luz realmente muito baixa, mas selecionei algumas fotos no site evasoes.pt pra vocês entenderem o que eu tô falando!

A inspiração do Red Frog vem dos speakeasy dos anos 20, quando ainda existia a Lei Seca nos Estados Unidos e os bares tinham todos esse ar de proibidos… Definitivamente vale a ida!

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O Time Out Market é um lugar enorme na região do Cais do Sodré, em Lisboa, que une vinte e quatro restaurantes, oito bares, vários estabelecimentos comerciais, uma academia e uma sala de espetáculos sob o mesmo teto.

Inaugurado em 2014 e idealizado pela Revista Time Out, o lugar é uma concentração do melhor da gastronomia Lisboeta. O restaurantes rodeiam o lugar e o centro é uma grande praça de alimentação com mesas para compartilhar, então se estiver em busca de uma refeição mais intimista esse definitivamente não é o lugar ideal. A ida vale muito a pena, mas vá com tempo porque escolher o comer pode ser um verdadeiro desafio!

A região da Expo, na parte “nova” de Lisboa, tem muitos restaurantes. É muito comum ver mares de pessoas engravatadas se distribuindo pelo bairro na hora do almoço, devido a concentração de empresas na região. No dia que fomos ao Oceanário, aproveitamos pra almoçar por lá… Nossa escolha foi o Butchers, um lugar indicado por um amigo.  O forte do restaurante são as carnes, então amantes de carne não podem deixar de ir! Eles têm cortes especiais e são muito conhecidos pela maturação da carne que servem. O ambiente é MUITO gostoso… O Bru pediu um dos cortes especiais e aprovou, eu pedi um ceviche que foi o mais diferente que já comi até hoje: com leite de coco e manjericão!

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Agora por último, mas não menos importante… O Mercado! Ele fica na Costa da Caparica, apenas alguns minutinhos de Lisboa. O restaurante, que fica sob o comando do chef David Ortega foi o único restaurante que voltamos não duas vezes, mas TRÊS! Considerando que Lisboa tem infinitos restaurantes maravilhosos e que só ficamos pouco mais de uma semana por lá, esse fato é o maior dos elogios.

O lugar é super descolado, tem um ambiente informal bem característico do litoral com comida de alta qualidade. A decoração do lugar é de muito bom gosto. Pra mim fica muito difícil dizer que prato vocês devem pedir porque TUDO que pedimos é impressionante, mas vocês não podem ir embora sem provar as guiozas de camarão e o ceviche deles. É de comer de joelhos!

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As duas principais redes de Pastéis de Nata que estão espalhadas pela cidade

Os pastéis de nata estão por toda parte e PRECISAM ser consumidos! Duas coisas eu aprendi: pastel de Belém, como eu chamava aqui, é só na casa dos Pastéis de Belém… em todo e qualquer outro lugar, chame de Pastel de Nata. Fui corrigida logo no primeiro dia em Lisboa… O Bruno acredita piamente que nos Pastéis de Belém o pastel é muuuito melhor que em qualquer outro lugar de Portugal, já eu acho que não tem tanta diferença assim. Na dúvida, prove todos!

Pra encerrar, uma dica: os vinhos verdes que aqui pagamos em média 60 reais, lá você encontra por 3, 4 euros em todos os lugares. Mesmo nos restaurantes, o preço médio fica entre 6 e 8 euros, APROVEITEM. Meus preferidos são: Casal Garcia, Casal Mendes e Adega Guimarães. E pra quem é apaixonado por Gin Tônica como eu, Lisboa é o paraíso, estão anos luz na nossa frente… harmonizam os gins de acordo com cada marca, as cartas são enormes e eles entendem MUITO do que tão fazendo, tem uma cultura muito forte do gin por lá, vale a pena comprovar!

Bom, espero que esse mini guia ajude quem está com passagem marcada pra Lisboa… ele demorou muito porque, de fato, é muita coisa pra falar. Logo logo publico a parte dois!

Beijos!

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Felicidade não é a ausência de tristeza.

Felicidade, pra mim, não é a ausência de tristeza. A partir dessa constatação, ser feliz ficou muito mais fácil. Ser feliz é sentir as dores e as tristezas com a consciência de que elas fazem parte do nosso caminho e que é através delas que vamos nos aproximando cada vez mais do nosso propósito. É pela tristeza que aprendemos a valorizar os momentos de alegria, é através dos momentos difíceis que nos fortalecemos e que descobrimos que somos capazes de muito mais e isso é felicidade. Viver uma vida em felicidade não significa ser feliz o tempo todo, é impossível ser feliz o tempo todo… até porque só temos consciência do bom porque já provamos o ruim.

Se a gente reajustar nossos conceitos e setar nossa mente pra não esperar uma vida sem tristezas, a gente vai se aproximar cada dia mais de uma vida feliz. Nem tudo é preto no branco, nem tudo que o dicionário diz ser antagônico de fato é. Felicidade é sentir cada angústia e tirar lições valiosas delas, felicidade é acordar triste e despertar para mudanças necessárias na vida. Felicidade é sentir a inquietação de algo ruim e ter a oportunidade de fazer diferente a cada dia.

ilustração Henn Kim

Os sentimentos ruins são nosso maior sinalizador de algo que precisa ser reajustado e são nosso principal caminho para a evolução e isso, amigos, é felicidade. Que a gente não se frustre por não ter apenas dias felizes, um dia triste não significa uma vida triste. Uma vida de dias apenas felizes é uma vida sem transformações e estamos vivos pra nos transformarmos em seres melhores a cada dia.

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Nem tudo vai dar certo.

A gente não está preparado pras coisas quando elas dão errado, né? Observem… quando alguém está passando por algum problema ou divide alguma dificuldade pontual, a reação das pessoas é SEMPRE a mesma na hora de consolar: “calma, vai dar tudo certo…” ou “calma, vai ficar tudo bem…”

Acho que é hora de entender que nem tudo vai ficar tudo bem e nem tudo vai dar certo e que essa não é a melhor forma de consolar alguém porque eventualmente vai dar tudo errado e nada vai ficar bem. Isso é a vida, não vamos nos iludir e nem iludir ninguém de que algo é diferente disso ou a gente vai viver num mundo de pessoas despreparadas pra decepção e pras frustrações.

A vida é feita de altos e baixos, alegrias e tristezas, realizações e frustrações e precisamos entender que nada é mais natural que isso. Parafraseando Vanilla Sky: o doce nunca seria tão doce se não fosse o azedo. A gente só sente alegria porque já sentiu tristeza, só comemora as realizações porque já sentiu o peso da frustração. São as adversidades que nos fazem gratos quando as coisas dão certo.

Na hora de consolar alguém, ao invés de dizer que vai ficar tudo bem e que não é pra se preocupar, encoraje a pessoa, diga que mesmo que o pior aconteça, as coisas vão fazer sentido em algum momento. Incentive a pessoa que está sofrendo a buscar entendimento e força emocional, a não tentar ter controle sobre tudo. Diga que ela encontrará forças pra lidar com o que tiver que lidar, que mesmo que as coisas acabem dando errado, ela encontrará a melhor maneira de passar por isso. Que é uma fase. Tudo passa. O bom e o ruim. A gente precisa estar preparado pra instabilidade dessa vida… nada está sob controle. Ofereça seu ombro, esteja presente, mas não iluda ninguém. Você não sabe se as coisas vão dar certo, ninguém sabe. Que a gente não brinque de tentar adivinhar as coisas, elas não são adivinháveis.

Levemos o clichê a sério: espere o melhor, esteja preparado para o pior e receba o que vier. Na vida não há nada sob controle, muitas coisas darão errado pelo caminho e não há problema algum nisso, é apenas a vida como ela é.

“É preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante.”
– Friedrich Nietzsche

“Entrego, confio, aceito e agradeço.”
– Professor Hermógenes

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1 + 1 sempre será = 2.

Há umas semanas fomos a um casamento e durante a cerimônia, o celebrante disse que a partir daquele momento os noivos deixavam de ser dois e passariam a ser um só. Eu sempre choro em casamentos, mas nesse momento foi como se tivessem jogado um balde de água fria na minha cabeça. “Não fala besteira, moço”, eu pensei.  Esse, acredito eu, é o maior erro que duas pessoas que decidem se relacionar podem cometer. E eu também já cometi, todo mundo em algum momento comete.

Eu acho que é absolutamente normal que duas pessoas mudem depois de começarem a se relacionar, mas isso não significa perder-se de si mesmo. As mudanças são parte da nossa existência e elas acontecem em qualquer circunstância das nossas vidas, mas afastar-se de quem é por causa de outra pessoa é uma bomba-relógio. Muitos relacionamentos, depois que acabam, deixam duas pessoas completamente perdidas por não se lembrarem mais sequer do que elas gostam de verdade. A relação toma uma proporção tão grande que vira o centro de todas as coisas e quando ela acaba, a sensação é de que não sobrou mais nada na vida. E é isso que acontece quando duas pessoas acham que viraram uma só.

Não deixe de ir aos shows que você ama e o outro detesta. Trabalhem a confiança entre vocês dois pra que independência jamais seja vista com insegurança pelo outro. Não deixe de jogar video game porque o outro não sabe jogar. Mantenha contato com seus amigos, com sua família… não esqueça que você ama ir ao cinema toda semana e que aquele amigo que seu/sua namorado(a) não vai com a cara ainda é parte da sua vida e que isso precisa ser respeitado. Não jogue fora nada nem ninguém que você vai sentir falta depois que for singular de novo. Não deixe de beber seus drinks porque o outro não gosta, não deixe de usar seu batom vermelho, não esqueça que você ama viajar. Não precisa dormir cedo se você detesta isso, não precisa deixar de ir a churrascaria porque o outro é vegetariano. Não pare de receber pessoas na sua casa, se isso é uma das coisas preferidas da sua vida. Não esqueça dos seus hobbies, do que sempre te fez feliz, do que te dá alegria de viver. Não deixe de ir a museus ou a jogos de futebol. Aproveitem ao máximo suas interseções,  mas respeitem um ao outro e nunca achem que é preciso ser um só.

Uma relação é um time. De dois, mas é um time. Se você só tiver atacantes em um time, vai tomar gol demais. Se só tiver zagueiro, não vai marcar nada.  Cada um tem seus talentos, vontades, interesses e personalidade e é exatamente essa particularidade que faz com que duas pessoas se apaixonem e potencializem suas virtudes… com o passar dos anos, de tanto um se confundir com o outro, a razão pela qual tudo começou se perde e a saudade de si mesmo começa a dar gritos ensurdecedores. Sentir saudade de quem se é pode ser muito dolorido porque não há ninguém pra culpar além de si mesmo. O amor tem muito mais a ver com parceria do que com anulação. Amar é amar as diferenças, é ceder hoje e amanhã não ceder. Uma relação nasce entre duas pessoas, quando essas duas pessoas viram uma só, o que fica é solidão. E solidão a dois é dor, não é amor.

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Dar vem antes de receber.

Muita gente pedindo pra receber e muita gente pouco disposta a dar. Tanta gente insatisfeita com o que a vida tem dado… mas o que essa gente tem dado pra vida? Não sei onde se perdeu a consciência da mão dupla e as pessoas passaram a exigir da vida, das pessoas e das situações muito mais do que dão. A vida é um eco e por mais que isso soe um clichê, precisa ser levado a sério.
Dar vem primeiro e não receber. As pessoas estão em uma eterna queda de braço, ninguém quer falar primeiro, dar primeiro, amar primeiro, cuidar primeiro. Está todo mundo na defensiva, esperando o outro dar o primeiro passo, mas quando essa postura é generalizada, o resultado é todo mundo parado no mesmo lugar frustrado, desamparado, medindo forças e acinzentando o mundo.
Quer ser amado? Ame antes, se entregue antes, se doe, cuide, fale sobre amor… dane-se seu ego e seu medo de não ser retribuído, seja menos vaidoso, meça menos forças. Quer respeito? Respeite. Quer cuidado? Cuide. A ordem dos fatores não altera o produto, você deveria ter aprendido isso na escola, não precisa se preocupar em ser o que dá depois, dê antes, dá no mesmo!! Em um mundo onde ninguém tem coragem de dar o primeiro passo, seja o que enfrenta os sentimentos entre tantas almas covardes.
Seja o que convida pra sair,  o que puxa conversa, o que diz que ama primeiro, seja o que cuida, o que pega na mão, o que toma a iniciativa, o que diz que tá com saudades, o que convida pra sair. O mundo precisa urgentemente de pessoas agindo sem medo pra fazer a energia boa circular. Seja um bom amigo antes de querer ter um bom amigo. Essa quantidade absurda de pessoas na retaguarda esperando tá deixando o mundo morno, sem coração, cruel e triste. Sim, triste. As pessoas estão carentes, estão sozinhas… ainda não entenderam que a vida se dá pra quem se deu! E olha que Vinícius de Moraes falou isso há muitos anos em “Como Dizia o Poeta”, mas ninguém quis ouvir.
Pare de esperar que as coisas cheguem em você pra você começar a dar, se liberte do ego, da vaidade e do medo. Seja leve e seja destemido… quando a gente passa a agir com o coração, tomando iniciativas positivas e propagando coisas boas pras pessoas, parece que todas as forças se juntam pra devolver só positividade pra nossa vida e pros nossos dias.
Na língua de hoje em dia: siga sem ser seguido de volta, dê likes sem receber likes, marque sem ser marcado. A vida não é uma competição e afeto, atenção e amor são recursos inesgotáveis, doe sem moderação e observe seu mundo ficar cada vez mais bonito!!!!
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Meus jeitos de dizer que te amo.

Eu digo que te amo todo dia quando te beijo o rosto e confiro se a coberta está sobre você antes de ir pro trabalho. Eu digo que te amo todas as vezes que meus pés encostam nos seus durante a noite. Eu digo que te amo quando aceito seus convites antes de saber quais são, quando passo o dia com a sua família, quando coloco seu celular pra carregar sem você pedir. Eu digo que te amo quando coloco “Feeling Good” pra tocar quando estamos em uma reta na estrada. Digo que te amo quando vou de pijama pro restaurante jantar com você porque você estava com fome e não queria te fazer esperar. Eu digo que te amo quando cozinho, quando sento no chão do quarto do teu lado organizando as coisas com você. Eu digo que te amo quando ouço com atenção você falar sobre seu dia no trabalho. Eu digo que te amo quando te beijo antes de dormir, quando me preocupo com seu estômago e quando te encho um copo de água no meio de uma festa e tá bebendo demais. Eu digo que te amo quando faço questão de conhecer cada amigo seu, cada pessoa da sua família, cada lugar preferido seu. Eu digo que te amo quando trabalho com você, quando ouço você fazer paródias horríveis e quando aceito que sua vida é muito louca. Eu digo que te amo toda vez que pergunto se dormiu bem, quando massageio seus pés e quando assisto futebol do seu lado. Digo que te amo quando te assisto jogar video game, quando digo “eu trouxe” quando você esquece algo em alguma das nossas viagens. Digo que te amo quando compro algo que você gosta do mercado, quando provo seus drinks sem nem saber o que tem dentro. Digo que te amo quando coloco a mão na sua nuca enquanto dirige, quando te dou a mão embaixo da mesa, quando guardo sua carteira e sua chave na minha bolsa pra não perder. Digo que te amo em cada puxão de orelha que te dou, em todas as vezes que divido responsabilidades com você quando sinto que tá sobrecarregado. Digo que te amo quando te mando mensagem no meio do dia pra saber se está bem, quando te acompanho no médico, quando me aninho no seu peito. Digo que te amo cada vez que ando na ponta dos pés pra não te acordar, digo que te amo quando faço planos com você, quando quero colocar a foto da sua viagem preferida na parede. Eu digo que te amo sem falar absolutamente nada muitas vezes por dia. Eu digo que te amo quando a gente está longe em uma festa e se olha só pra dizer que estamos ali um pro outro. Digo que te amo quando te ligo antes de ligar pro seguro quando meu carro pifa no meio da rua. Digo que te amo quando te peço ajuda, quando te confesso meus medos, quando me desarmo pra você. Se um dia, por acaso, bater alguma dúvida… repare bem nas coisas que faço, quase todas elas são meu jeito de te dizer que amor não vai te faltar.

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ilustação: Sara Herranz

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Quando vi, já era amor.

Quarta-feira, 23h de um dia cheio. Pijama. Toca o telefone, um amigo chamando pra um jantar na casa daquele cara que ele me apresentou horas mais cedo durante um evento. Hesitei, não fico muito confortável indo em casa de pessoas que não conheço direito e do anfitrião eu só sabia o nome, onde trabalhava e que tinha olhos bonitos. Ele insistiu, tirei o pijama, coloquei uma roupa preta qualquer, passei em algum lugar no caminho pra comprar umas cervejas e fui.

 

A casa tava cheia. Cheia de pessoas que eu não conhecia, mas  ok, sempre fui boa em conversar com desconhecidos. Não sei como aconteceu, mas em algum momento eu estava atrás do balcão da cozinha com o dono da casa do meu lado. Ele sempre dava um jeito de encostar em mim, era involuntário, mas eu sabia o que queria dizer. Meus quase 30 anos já me fizeram entender direitinho quando tem alguma tensão  física entre duas pessoas. Era um jantar, eu trabalhava no dia seguinte, mas às 5h ninguém tinha ido embora. Fui a primeira… ele não queria. Eu fui. Dei tchau pra ele por último e foi a despedida mais desajeitada que podia ser, um beijo quase no canto da boca me deixou o recado de que eu o veria de novo em breve.

No outro dia, bêbada de sono, depois de 3 horas de descanso, acordei e ele estava em todos os lugares possíveis. No snapchat, no instagram, no facebook, no whatsapp… Ele tava lá sendo direto e me dizendo com todas as letras que queria ter me beijado, que precisava me ver de novo e que precisava ser naquele dia. Não estava acostumada com tanta objetividade, mas já tava esgotada de joguinho besta que povo solteiro adora fazer. Na noite de quinta-feira, um happy hour com as mesmas pessoas do dia anterior e mais algumas outras. Ele chegou no fim, era meia-noite, a ideia era ir pra casa, mas apareceu uma balada gay daquelas que eu adoro. Eu estava conversando com umas pessoas encostada no balcão enquanto todo mundo se organizava pra ir embora… Ele entrou na roda, ignorou as pessoas e simplesmente veio na minha direção e me deu um beijo. Sem cerimônias, sem explicação e com a segurança de quem tem certeza de que não existia outra possibilidade pra nós dois além de ficarmos juntos. Pelo menos naquela noite…

 

E é verdade, nada parecia fazer mais sentido. Bebemos, cantamos, dançamos, descobri o quão rápido ele dirige. Eu estava solteira, daquele jeito pretendia ficar por muito tempo, mas ele tinha tanta cara de casa, que achei que não faria mal algum ser solteira ao lado dele de vez em quando. Acontece que nunca foi de vez em quando. A gente se viu de novo na sexta em um aniversário de uma amiga dele, no sábado a gente já estava no cinema. No domingo, era domingo de eleições municipais, ficamos sentados na varanda dele por muitas horas. Naquele dia falamos sobre amor, sobre passado, sobre Deus, família, traumas e sobre quem somos. Naquele dia a gente mergulhou, saiu da superfície e eu sabia o risco que a gente estava correndo. E naquele dia eu soube que meu plano de solteirice longeva estava ameaçado. Foda-se, paguei pra ver. E na segunda ele cozinhou pra mim, na terça nos vimos de novo, na quarta ele apareceu na porta da minha casa às 3h da manhã depois de uma festa. De todos os lugares que ele podia ir na madrugada, foi na minha porta que ele bateu. Dei um lado da minha cama, dei água e ele combinava tanto com meu mundo que ter ele ali não me assustou em nada, mesmo que uma semana antes a gente fosse completamente desconhecido um pro outro.

 

Aquela semana virou duas, virou três, virou um mês. A gente se viu todos os dias durante muito tempo. Levei ele no hospital, ele me ajudou a enfrentar uma fase pessoal muito difícil. A gente falava de planos pra meio ano depois, pro ano seguinte. Conheci o pai dele num domingo qualquer sem nenhum aviso, simplesmente estacionou e disse que almoçaríamos com ele. Era pouco tempo, mas eu já tinha desencaixotado as coisas dele que ainda estavam guardadas desde que se mudou. Tiramos o lixo que estava embaixo da escada, fizemos um jardim, plantamos uma horta. Penduramos as cortinas, ele comprou uma cafeteira. Tinha escova minha na casa dele, escova dele na minha. Conheci a mãe dele, ele conheceu a minha. Nossas mães se conheceram… Os dias passaram, ele não me pediu em namoro, mas depois de uma conversa, chegamos à conclusão de que já era namoro e que, pra boa ordem, agora era assim que nos chamaríamos. Eu que nunca chamei nenhum namorado de amor, de repente não conseguia chamar ele de outra coisa.

 

A gente abriu mão do conforto da nossa solteirice pra ser livre junto. Ser livre em companhia. A gente era muito diferente no nosso começo, mas ele me mudou. Eu mudei ele. Na verdade, não mudamos. Ainda somos quem sempre fomos, mas novos lados nossos despertaram. Ele chegou mais perto do que eu sou, eu fui pra mais perto do que ele é e nos encontramos no meio do caminho. Eu escolhi estar com ele porque a gente pode ser o que quiser e tem a tranquilidade em saber que não somos julgados. Por ele valeu a pena me jogar no abismo do amor de novo porque ele nunca me pediu nada que eu não pudesse dar, porque andar de mãos dadas com ele parece a coisa mais certa possível. Ele tem cheiro de casa desde a primeira semana… Por ele eu aprendi a dividir o edredom, com ele eu aprendi a receber ajuda e ele me fez parar de sentir culpa por ser cuidada. Eu tenho paciência com os traumas dele e com o jeito hiperativo de viver. Ele me aceita com todos os meus demônios e me ajuda a lutar contra eles.

Nossa história não é convencional e nós não somos um casal previsível, mas somos duas pessoas felizes que aprenderam que a felicidade pode ser elevada à décima potência quando se divide o caminho com uma pessoa leve e que não pede nada em troca além de companhia. Eu sou muito feliz por não ter me escondido, por ter deixado acontecer, por não ter racionalizado pela primeira vez na vida. Eu poderia ter deixado passar tudo isso que a gente divide hoje por puro receio de abrir mão da minha liberdade. Como diz Carpinejar, liberdade é ter um amor pra se prender… Não sei o que o futuro reserva pra gente, não sei se o que temos é findo ou não. Tudo que sei é que hoje, quase 8 meses depois, ainda vivo como tenho vivido desde o nosso primeiro dia: um dia de cada vez, mas sempre desejando que o dia seguinte tenha o som da risada dele. Amar ele foi uma escolha que eu tomei em um dado momento e eu escolho isso todo dia desde então, eu escolhi ele com todos os defeitos no pacote, não escolhi só o que ele tem de bom pra me oferecer, eu escolhi tudo aquilo que me irrita também. Eu escolhi ser leal a ele, eu dei meu coração, meus ombros e meus ouvidos porque a recompensa é enorme, a recompensa é paz no peito e uma felicidade que me transborda o riso.

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