Vestindo conforto

Toda vez que me pedem pra fazer posts sobre “looks”, eu  me questiono o porquê, já que existe uma única palavra de ordem nas minhas escolhas ao me vestir: conforto. Aí entendi que existe muita gente que tem a mesma intenção, mas por algum motivo, se sente inseguro na hora de se vestir por achar que vai estar sem graça, sem personalidade e tudo mais que dizem que é quando uma mulher não sai montada em roupas de revista.

Bom, antes de começar com meu desafio de 5 dias sem peça preta (que vocês devem estar acompanhando no instagram), tinha decidido clicar um look por dia durante 3 dias da semana e dividir com vocês pra ilustrar que não precisa seguir regra nenhuma, a ideia é ser feliz sendo o que a gente é e vestindo o que nos deixa confortável. Ser bonito, pra mim, é poder correr na rua sem se preocupar se o salto vai entrar em um buraco na calçada.

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Impressionantemente essa foi uma semana com menos looks pretos da cabeça aos pés (vitória! \o/). A cor do suéter do primeiro dia foi a coisa mais ousada dos últimos meses. Há um tempo fiz uma análise de coloração pessoal com uma personal stylist e descobri uma paleta de cores que caem bem em mim e apesar de ter, sim, muita cor escura, tem umas que pareciam absurdas pra mim como essa e quando dei uma chance, amei! Um dia faço um post sobre essa análise aqui, é incrível.

Acho engraçado quando alguém elogia a forma com que me visto e quando vou fotografar, eu simplesmente tenho uma calça (99% das vezes – tenho quase 10 calças pretas!), um tênis e um casaco ou suéter. Acho que estar confortável com quem é e usar peças que fazem a gente feliz faz com que o conforto transcenda o interno e acabe sendo agradável pra quem vê. Se você se sente confortável em roupas justas, curtas e saltos, use e abuso disso tudo! Se não, tudo bem, vai de tênis e camiseta mesmo. A gente é lindo quando resolver se vestir pra si mesmo!

Eu sempre tô de óculos e acho que precisar de óculos é uma super chance pra dar uma gracinha! Eu tenho trocentas armações, mas nesses 4 dias usei só duas que são AMOR quando a ideia é estar confortável… Isso porque as lentes ficam transparentes quando tô em lugares fechados e escuras quando tô na rua (sim, maravilhoso, eu sei <3)

Sim, são os mesmos óculos dos looks. Lentes Transitions é amor!

Sim, são os mesmos óculos dos looks. Lentes Transitions é amor!

Eu me diverti fazendo esse post e tô me divertindo com o desafio dos looks no instagram, vou fazer mais vezes!

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Vamos aliviar a barra do amor?

O amor supera tudo. Quando se ama, todas as dificuldades ficam pequenas. Quem se ama arruma um jeito de ficar junto. Amar basta. Quem tem amor, tem tudo.

Gente, vamos aliviar a barra do amor? Tá pesado pra ele… É muita responsabilidade, não é justo com ele. O amor é frágil sim, e ele é apenas um elemento dos relacionamentos, um elemento importantíssimo, mas ainda assim só um elemento. McCartney e Lennon repetiram tanto “all you need is love” que a gente acabou acreditando. Vamos falar sobre isso? Amar somente não basta.

Um dos maiores aprendizados que tive com a maturidade foi sobre o amor. Foram muitos anos de criança/adolescente vendo histórias de amor, contos de fada, comédias românticas americanas e isso tudo me fez criar uma imagem completamente utópica e deturpada do amor, esse sentimento que eu ainda nem tinha sentido. Estava esperando o grande príncipe que me faria morrer de amor e que me preencheria por completo e me respeitaria e construiria ao meu lado um mundo mágico e só nosso. Mas que armadilha…

Aí a gente se apaixona pela primeira vez e vê que o buraco é mais embaixo. E aprende algumas coisinhas, aí se apaixona de novo e desconstrói outras coisinhas. E aí acaba de novo e se apaixona de novo e descobre outras novas coisas. E aquela imagem romântica do sentimento vai ficando cada vez mais apenas uma das nossas lembranças infantis… Sim, eu acreditava no amor como quem acreditava em papai noel e fada do dente.

A gente cresce achando que sem um amor romântico que termine em casamento, a vida não é completa, a vida não é feliz e a vida não faz sentido. Encontrar o “amor da vida” se torna uma prioridade enorme e existe uma cobrança pra que você não fique pra titia/titio. Já imaginou o que vão falar se você tiver X anos e ainda não tiver casado? Encalhada (o).

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De novo, aliviem a barra do amor. O amor acontece algumas vezes na vida e, muitas vezes, é findo. Sim, porque é tanta influência externa e interna que o amor às vezes bate a palma da mão no tatame e diz que não pode mais continuar… E cada vez que o amor não basta, parece que o mundo desmorona e um drama quase Shakespeariano toma conta da gente: ó, céus, e agora? O que será de mim?

Amor não acaba, amor transmuta. Amor vira carinho, respeito, bem-querer ou até mesmo raiva, ódio, indiferença, nojo… E acredito que a evolução do sentimento tem muito a ver com a nossa capacidade de saber a hora de parar. Quanto mais se ignora os sinais, mais arriscado fica. Não falo de desistir, acho sim que é preciso de um esforço pra entender se o que está acontecendo é um vento forte ou um furacão devastador, mas muitas vezes o furacão já veio, estamos no olho dele e nos recusamos a enxergar que já está tudo destruído em volta.

Amar é maravilhoso e é uma tremenda sorte, aos que já amaram ou amam, sintam-se privilegiados. A gente não encontra um sentimento tão bonito desses assim, em qualquer esquina. Amores de verdade podem acabar sim, amores que acabam não são amores que não deram certo e nem são amores de mentira ou fracos. Acho que todo amor dá certo, mas não quer dizer que todos são pra sempre.

A vida e o amor são uma grande viagem de trem. A gente não tem controle nenhum sobre o destino final das pessoas que dividem o vagão com a gente. Nossa estação de embarque é a metade da viagem de alguém, a sua viagem é a mesma de outra pessoa só até certo ponto. Quando a viagem da pessoa acaba e a sua segue, isso não apaga os momentos incríveis que tiveram enquanto conviveram no mesmo vagão, as paisagens que viram, as conversas que tiveram. Às vezes, raras vezes, encontramos em uma estação uma pessoa que acaba descendo no mesmo lugar que você, é a mesma viagem, o mesmo fim, é um compartilhamento mais extenso, mas não menos bonito e forte do que dos que se encontraram apenas entre um embarque e desembarque.

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Ninguém é obrigado a seguir a viagem do outro, a vida é individual. Muitas vezes pode sim ser mais divertida e gostosa em companhia… ter um ombro, um colo, um peito pra se aninhar é maravilhoso, mas não é vital. É preciso entender que nossa viagem é só nossa e que amar alguém não necessariamente significa recalcular a rota. A gente vai até onde é incrível, onde é genuíno, a gente vai até onde a viagem é uma diversão e uma experiência marcante pra gente e pro outro, a gente vai até onde as paisagens são bonitas para os dois. Estar parado na estação enquanto o outro segue viagem é confuso, não sabemos se ficamos felizes por estarmos onde deveríamos estar ou tristes por vermos que a passagem do outro o leva pra outro lugar, é agridoce mesmo. Por algum motivo somos muito pouco preparados pra sentimentos tristes… E o medo desses sentimentos nos leva a fazer coisas que violentam nossa existência e isso nunca vale a pena.

Eu entendi que forçar a barra é uma coisa muito dolorida. Não dá pra insistir num sapato que machuca, num trabalho que nos faz miserável, numa cidade que nos amedronta, numa amizade que nos suga, num penteado que nos dá dor de cabeça e num amor que não nos faz plenamente feliz.

Amar é ótimo, é lindo, é o sentimento mais incrível do mundo. Sentir borboletas no estômago é uma das sensações que mais amo na vida, mas não posso moldar toda a minha vida atrás das borboletas. Amar tem milhares de manifestações, mas insistimos que se amamos amigos, cidades, familiares, nosso trabalho, animais e não casamos, não somos completos. Se tivermos tudo, maravilha, mas se não completarmos o álbum do amor, não há motivo pra ser infeliz, algumas figurinhas são mais difíceis mesmo e isso não faz que com que a coleção fique menos gostosa de se ter.

Amor, desculpe por todo o peso que coloquei em você. Eu sei que você sempre faz o seu melhor. Seja bem-vindo quando quiser, mas vá quando tiver que ir.

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O desafio de passar pela vida sendo quem é.

Envelhecer é um gráfico que não faz o menor sentido, mas poucas coisas na nossa existência faz. É uma montanha-russa! A gente se perde e se redescobre muitas vezes! Fui a criança que queria agradar, fui me moldando tanto pra agradar que acabei me distanciando de quem eu era. Despertei na adolescência, fui uma adolescente incomodada com os padrões, irritada com as patricinhas que se vestiam pra agradar homens. Fui a adolescente que se questionava, que descobriu quem era e que seria daquele jeito mesmo, quem gostava, gostava. Quem  não gostava, podia ir embora… Aí teve a faculdade, nossa… Que lugar difícil de ser quem é, mas resisti bravamente até o fim. Comprei umas brigas com alguns professores, fiz pouquíssimos amigos, mas cheguei na reta final feliz por ter sido sempre eu mesma. No fim da adolescência, as responsabilidade começaram a bater, era hora de trabalhar. Aí no trabalho, queridos, é MUITO difícil ser quem é. Principalmente nos primeiros empregos… A gente tem muito pouco à nosso favor, é preciso se moldar, agradar. É muita insegurança pra pouca idade. Quando a gente menos espera, lá estamos nós de novo esticando a blusa pra esconder a tatuagem, lá tá a gente rindo pra piadas que a gente acha uma merda. E aí a gente engole em seco cantada de chefe que na rua nos despertaria um belo palavrão. Aí a gente se enche de problema e coisa pra resolver e acaba se moldando até pra família, amigos, namorado… Paga pra não se incomodar. Não compra briga, vai aceitando tudo por puro cansaço. Aí uma hora, baixa a Vera Verão e EEEEEPA! A gente retoma consciência. Pede demissão, acaba o namoro, briga com os pais, se afasta de alguns amigos. Aí a gente vê que não pode ficar naquela postura punk pra sempre e vai precisar usar umas máscaras de vez em quando mesmo… Paciência, vamos lá! Aí no outro emprego você é promovido, precisa assumir um posto em que vai influenciar pessoas. Pronto, lá vem a pressão pra ser a criatura-modelo. A gente tenta… Mas conforme ganha espaço, vai falando umas coisinhas que podem desagradar, mas a gente não sente mais tanto medo. Aí começa outro namoro, aí a gente já vai aceitando menos coisas e dizendo uns “nãos” a mais e logo logo tão chamando a gente de louca(o) porque é isso… Ser quem é virou coisa de gente louca. Não consigo imaginar o que acontece quando a gente tem filho, tem que ser o melhor pai, a melhor mãe, não pode errar, não pode mais ter defeito. De repente a pessoa tá lá de novo deixando de lado um monte de pensamentos, deixando de fazer um monte de coisa que queria, se engasgando com um monte de palavra que não pode falar… E aí a gente vai pirando de vez em quando que é pra ter certeza que ainda dá tempo de resgatar a relação consigo mesmo. Eu já entendi que isso vai acontecer a vida inteira e já entendi que a tendência é que os períodos de “foda-se” fiquem mais longos com o passar dos anos e os despertares mais frequentes. Já repararam como as pessoas mais velhas (de seus 70, 80 anos) são completamente sem filtro? Não é porque ficaram doidos não, é porque estão de saco cheio de uma vida inteira deixando de ser quem são. Resistam.

Ser bonito não é físico.

Ser bonito não é físico, mas estão querendo nos fazer acreditar que é. Sejamos a resistência. Eu ando em uma das minhas 94302 crises virtuais que já tive nessa vida. Existe um motivo: eu odeio a cultura do superficial que as redes sociais vendem e eu acabo, inevitavelmente, fazendo parte disso. Eu sinto que às vezes eu deveria usar mais o espaço que tenho, por mínimo que seja, pra encorajar as pessoas a se questionarem. Eu já estou me aproximando dos 30 anos, então se fizerem as contas, vão ver que minha adolescência foi antes dessa alienação virtual. Bom, não quero ficar com discurso saudosista de “na minha época…”, vim aqui falar sobre como as pessoas estão equivocadamente condicionando a auto-estima diretamente a questões estéticas. Pra pessoas mais novas que se criaram nesse mundo virtual e visual, eu devo estar soando louca.

Vamos começar esclarecendo umas coisas: você não precisa de maquiagem, você não precisa da roupa que todas as pessoas estão usando, você não precisa do corte da moda, você não precisa ser escrava da escova, você não precisa ter o cabelo liso, você não precisa ter uma pele perfeita, você não precisa vestir 36, você não precisa ter as fotos mais bonitas da internet, você não precisa do filtro de coroa de flor no snapchat pra ser bonita. Tem gente ficando milionária na internet em cima da sua frustração, não permita que te usem dessa forma.

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Estão aí todo dia dizendo que você precisa conhecer o método de congelar gordura, a drenagem linfática, a escova de diamante, o alongamento de cílios, o megahair, o exercício INCRÍVEL pra deixar a bunda dura em apenas 4 semanas,  a unha de gel, o truque pra esconder as sardas, estão aí dizendo que você não pode deixar de ter a nova coleção daquela marca legalzona que todo mundo ama… São incontáveis aplicativos pra deixar a pele lisa, o olho grande, a boca rosada… São matérias em portais com dicas imperdíveis pra tirar a selfie perfeita e a gente não precisa de nada disso. Por que tanta gente está acreditando que sim? Quando é que as pessoas perderam a capacidade de questionar?

self esteemSer bonito é ser de verdade, ser bonito é sair na hora quando alguém está na porta da sua casa e diz “desce” sem se preocupar se o cabelo tá no lugar, se a olheira tá grande demais. Cabelo no lugar é coisa de gente que não se diverte… Correr bagunça o cabelo, tomar banho de chuva também. Andar com a cabeça pra fora do carro despenteia, transar despenteia, piscina, cloro, mar e sal deixam a gente um leão quando o vento bate. E daí? Quem perde tempo demais preocupado com o cabelo, perde uma boa parte da diversão. Ser bonito é ter riso frouxo e capacidade de se divertir, a beleza vem de dentro pra fora quando a gente alimenta a alma.

As olheiras? É, gente, não é todo mundo que tem o privilégio de dormir 8 horas de sono. E nem é todo mundo também que tem o privilégio de TER sono. A insônia tá aí, nossa cabeça anda com coisas demais pra pensar, o escuro ao redor dos olhos na manhã seguinte nos entrega. E daí? Bonito é assumir que é humano, que teve uma noite ruim.  Você pode, sim, querer dar uma disfarçada com um corretivo, mas você não precisa disso…

Você sai de salto, passa a noite reclamando, mal consegue andar, no outro dia está cheia de calos e de arrependimentos. Por quê? Se você não gosta e não se sente bem com uma determinada roupa ou sapato, é simples… Não use. “Ah, mas eu sou baixinha…” e daí? Quem disse que você precisa ser alta? Eu já fui em muita balada nessa vida e nenhuma vez fui de salto, usei tênis em todos os lugares que pude e nos lugares que não era permitido entrar de tênis, sabe o que eu fiz? Eu não fui (com exceção de sofridas formaturas e casamentos). Acho inconcebível que a gente se violente pra ser aceito em um lugar que exige coisas que não são naturais nossas. Isso serve pra balada, pro grupo de amigos e, acreditem, pra internet!

d45f168d68d908456d3415d8050cf023Gente bonita é gente que passa a noite jogando conversa fora, é gente que sabe conversar, é gente com argumento, gente com conhecimento, gente que olha no olho. Gente bonita te encanta e você nem sabe o porquê. Gente bonita ouve a música que quer, dança sem se constranger se aquele movimento é sexy, gente bonita lê, gente bonita anda na rua olhando pro horizonte e com o peito estufado de quem sabe que pode não ter o rosto mais harmonioso ou o cabelo mais sedoso nem o corpo mais esbelto, mas sabe que ninguém tem o que ela tem e ninguém é o que ela é. Bom, lembra desse texto aqui? É isso. O que te faz bonito é o que ninguém tira de você.

O que vai te preencher a alma? Impressionar alguém pela sua maquiagem e pelo seu visual e ser mais uma entre tantas pessoas pré-fabricadas ou marcar a vida de alguém e saber que o que te aproximou de alguém foi o que você tinha pra falar e acrescentar?

Tem gente que só quer ver visual? Gente que valoriza só a carcaça? Tem sim, muita gente! Mas são essas pessoas que você quer ter por perto? Eu passei a minha vida inteira usando calça, tênis e camiseta. Fui uma adolescente estranha, gordinha, de all-star/vans e camiseta de banda. Vivi em uma cidade de mulheres loiras, esbeltas, siliconadas, indiscutivelmente esculturais e eu nunca me senti inferior a elas nem por um segundo. A razão é só uma: eu posso me achar, com frequência, a pessoa menos fisicamente atraente dos lugares que vou, mas gosto tanto das coisas que alimento minha alma (músicas, filmes, livros, etc…) que tenho certeza que sou uma pessoa interessante. E se alguém não quiser me conhecer por causa de como eu me visto ou por causa da minha aparência física, essa pessoa não merece conhecer o que eu tenho a oferecer. E quando digo que não me sinto fisicamente atraente, não é uma vitimização, porque não vejo problema nenhum em não ser o holofote visual de nenhum lugar, inclusive prefiro e gosto. Bom, minha monocromia visual já indica que chamar atenção não é meu forte.

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Não acreditem que ser bonito é físico, busquem ser pessoas interessantes e não apenas fisicamente atraentes. No fim, o que conta é o efeito que você causou na a cabeça e no coração das pessoas e não nos olhos.

Parece clichê, mas a verdade é que a gente precisa se amar antes de tudo e o amor próprio não está relacionado com o que vemos no espelho. A gente tem que se achar uma pessoa legal, não tem problema nenhum em admitir “eu sou massa!” pra si mesmo. Parece que a gente se sente culpado quando reconhece nossas qualidades, parece errado, parece falta de humildade. Não é. A gente precisa se conhecer se valorizar pelo que a gente é. E ser é uma questão interna. Resista ao que tentam nos vender todos os dias. Não permita que a bunda ou o cabelo de alguém façam com que você se sinta inferior. Combinado? Ser bonito vai além de tudo que a gente pode ver.

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Homem chora sim.

Homem não chora, homem não fala sobre sentimentos, meninos muito apegados às mães ficam delicados demais, homem tem que jogar futebol, homem tem que revidar, homem não leva desaforo pra casa, homem não pode ser afeminado, homem tem que pegar mulher, homem resolve os problemas sozinho, homem tem que ser forte.

Chega.

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O feminismo vem sendo um assunto cada vez mais presente nas discussões (ainda bem, graças a Deus, amém!), mas com todo o perdão aos que são contrários, acho que é inútil, imprudente e irracional excluir os homens da luta. Ainda acho e sempre acharei que homens têm inúmeros privilégios em relação às mulheres e isso é outra coisa que precisa ser equilibrada urgentemente. Mas é preciso também criar nossos meninos de forma diferente, é preciso que pais e mães de meninos desconstruam alguns conceitos dentro de casa. O machismo é uma das muitas consequências da criação que damos aos meninos. Meninos criados com conceitos sexistas, acabam abafando muito os sentimentos e um dia o ódio explode. O sexo masculino é a esmagadora maioria entre viciados em drogas, alcoólatras, assassinos, serial killers, atiradores, gangsters, etc. Até o suicídio é mais comum entre homens… Ter que passar a vida provando que é “macho”, provoca níveis de ansiedade e depressão gravíssimos.

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O documentário “The Mask You Live In” (coloquei o trailer ali embaixo) aborda o tema de uma forma muito humana e sensível. A direção é muito boa e os dados são frutos de estudos sobre a criação de meninos nos EUA, mas o conceito se aplica pro geral. É preciso diminuir o espaço entre homens e mulheres, estudos mostram que há aproximadamente 90% de interseção no funcionamento cerebral, sexo não devia nos separar. Gênero é um conceito construído pela sociedade e nos distancia de uma forma extremamente nociva, nós não somos tão diferentes assim. É preciso criar meninos e meninas como humanos antes de tudo. É preciso criar meninos que possam chorar, que se sintam à vontade para falar sobre seus sentimentos. É preciso que as escolas participem ativamente dessa humanização e desconstrução dos conceitos de gênero. O problema do machismo é cultural e é estrutural, é preciso trabalhar na base.

A hiper-feminilização e a hiper-masculinização nos comerciais, nos personagens de TV, nos brinquedos e em tudo que influencia visualmente as crianças está separando meninos de meninas. Está criando e alimentando conceitos tortos sobre gênero que comprovadamente não procedem. É mais que urgente que a gente se desprenda de teorias CAFONAS e passe a assumir a responsabilidade de tudo que falamos, defendemos, ensinamos.

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As crianças são o futuro e é através delas que vamos conseguir mudar o mundo. Assistam esse documentário (tem na Netflix), é muito esclarecedor. Me emocionei muito ao ver adolescentes escrevendo em um papel a máscara que vestiam pra ir à escola e no verso os reais sentimentos que escondiam atrás da máscara. Precisamos deixar que homens e meninos SINTAM, sem que sejam humilhados por isso ou tenham sua masculinidade ameaçada. Somos todos seres humanos e somos feitos de emoções. Eu ainda acredito que essa pressão pra que o menino cresça afirmando sua masculinidade um dia vai aliviar, mas é preciso que todos tomemos consciência.

 Rosseau defendia que homem nasce bom, mas a sociedade é que o corrompe. E eu também realmente acredito que a natureza humana é boa, não vamos estragar nossas crianças, por favor.

Rolê Cafeína #4 Por um Punhado de Dólares

Aeee! Edição #4 do Rolê mais legal do meu mundo no ar! haha e já devo dizer que esse foi meu preferido até agora. Meu preferido por todo o conjunto da obra… O nome, que é também o nome de um filme do Clint Eastwood, não é exatamente uma homenagem à produção. Foi só o nome que veio aos sócios na hora que decidiram juntar suas paixões pra ganhar dinheiro. A ideia era montar um lugar legal pra tomar café e beber cerveja com preço justo em uma região democrática. Assim nasceu o PPD que fica no centro da cidade (pertinho da praça Roosevelt), longe dos points hipsters da cidade.

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O que eu mais gostei por lá foi justamente o fato de ficar MUITO claro que eles fazem o que gostam e acreditam e dane-se o que os outros pensam. Aliás, o café deles (com a torra escura e um pouco mais amargo que a maioria aprova) leva o nome de “fuckcoffee” porque quem reclamar do amargo, provavelmente vai ouvir um “foda-se, a gente gosta”. Bom, eu gostei tanto de lá que fui em um dia pra conhecer e registrar pro Rolê Cafeína e voltei no dia seguinte pra comer outras coisas do cardápio.

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Eu pedi um bolo de cenoura e um cappuccino, o César pediu o “Chapado”, chá gelado que vai maracujá, camomila, hortelã e mel e um bolinho de chocolate com café e cobertura de ganache.  Bom, TUDO foi de comer/tomar com uma lágrima escorrendo de tão maravilhoso. O chá é surreal, tentamos reproduzir em casa e obviamente ficou muito longe do original! O preço  de tudo é super justo, o público é super variado, o ambiente é super aconchegante e o atendimento é ótimo!

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Afff, saudade de todos os itens dessa foto.

Afff, saudade de todos os itens dessa foto.

Close no bolinho de chocolate com café e cobertura de ganache porque esse merece

Close no bolinho de chocolate com café e cobertura de ganache porque esse merece

Uma das coisas que mais gostei do PPD, é que ele abre de segunda à sábado das 10 da manhã às 10 da noite e não servem só café. No dia seguinte do rolê, voltei e comi um sanduíche de abobrinha que também valeu cada centavo. Eles servem drinks, vinhos e têm uma seleção bem legal de rótulos de cerveja. Tem wi-fi e é o café com mais lugares do Rolê até agora.

O cardápio é na parede e o pedido é no balcão, menos é mais.

O cardápio é na parede e o pedido é no balcão, menos é mais.

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Uma coisa que acho importante falar: eu não dou muita opinião sobre os grãos, aromas e coisas mais técnicas dos cafés que tenho ido porque eu não sou barista, não sou uma grande entendedora, só sou uma apaixonada por café na forma mais amadora possível. Da mesma forma que amo vinho, mas não sei dar opiniões muito específicas porque sei que pessoas estudam pra poder dar opiniões. Então só sei dividir entre “gosto” e “não gosto”. A ideia não é julgar nenhum café de nenhum lugar e sim apresentar lugares que conheci e gostei nessa São Paulo gigante de meu Deus. Desculpem se alguém se decepcionou com a falta de técnica, mas não tenho conhecimento pra isso e nem essa é a intenção. Combinado?❤

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O PPD fica na Rua Nestor Pestana, 115 – Consolação. Abre de segunda à sexta das 10h às 22h.

Se forem, me contem como foi e se amaram tanto quanto eu!

Todas as fotos por César Ovalle

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Sobre amor, medo e coragem.

“PAREM DE TER MEDO DE DEMONSTRAR!!! Pode me mandar textão, áudio com mais de 2 minutos, ligar depois das 11, gritar meu nome na janela, gargalhar de madrugada… Pod vim (sic) fazendo barulho! Porque gente fria pra mim, é gente morta.”

Tem uma imagem com esses dizeres sendo compartilhada no facebook por muito mais pessoas que eu imaginei que compartilhariam… E sempre a legenda é sobre como não fazer isso é coisa de gente fria. Ué, estaria eu morta e ainda não me contaram? Não podia me identificar menos com uma coisa, mas em minha defesa tenho a dizer que não sou medrosa em quase nada na minha vida, muito menos em demonstrar sentimentos.

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crédito: Sara Herranz

Pra mandar textão, áudios de 70 minutos, ligar depois das 11 e gritar na rua não precisa de coragem. Algumas doses de vodka e qualquer um já faz isso tudo na maior cara de pau. Coragem, meu amigo, a gente precisa é pra olhar no fundo do olho de uma pessoa às 10 da manhã e dizer um “eu te amo” com todas as letras, sem tremer e sem gaguejar. Coragem a gente precisa é pra mandar só três palavras no meio da noite “sinto sua falta”. Amar com discrição não é amar menos. Ser objetivo não é ser frio. Gente medrosa se esconde em palavras desesperadas que rodeiam e rodeiam e rodeiam e no fim criam 90 possibilidades de interpretação. Coragem mesmo é falar uma frase simples e objetiva, no seco, sem chance de deixar o outro com dúvida.

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crédito: Sara Herranz

Acho que não tem regra pra amar, pode amar gritando na rua sim, pode amar com serenata, com carro de som, pode amar com desespero, com áudio, com textão, com declarações diárias, pode amar até com um único perfil no facebook pra você e seu mozão, pode amar como quiser, como te fizer feliz, mas não espalhe por aí que quem não ama como você tem medo, é frio e é morto.

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crédito: Sara Herranz

Te deixo amar no escândalo, mas me deixa amar baixinho. Do meu amor e da minha coragem quem sabe sou eu.

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